The show must go on...

"Estamos atendendo!" ;-)

Vi essa chamada na página do UOL e fui atrás para ver do que se tratava, de certa forma a carapuça me serviu. Devo confessar que sempre fui avesso (preconceituoso mesmo) com relação a psicologia, como sempre queimei a língua. Quando estava na faculdade tinha várias amigas psicólogas e entre um "xaveco" e outro, passei muitas noites fazendo testes psicológicos para elas, ehehehe.

Sabe que mudei minha forma de pensar... ehehe

Abraços a todos (e muito obrigado!).

(Inté)


Se eu não tivesse certeza que não fui em nenhum terapeuta, jurava que ele estava falando de mim... [Notícia original - G Magazine]

Solidão e Auto-suficiência: os dois lados da mesma moeda

"A queixa do novo paciente não diferia muito da de tantos outros que me procuram com o desejo de fazer psicoterapia. Na faixa dos trinta e poucos anos, personalidade atraente, bem-resolvido em relação à sua orientação afetivo/sexual, encaminhado profissionalmente e com um razoável círculo social, esse paciente não consegue entender porque continua sozinho. Como geralmente acontece na primeira entrevista nesses casos, ele passou boa parte do tempo discorrendo sobre as dificuldades “externas”, ou seja: como é difícil encontrar alguém verdadeiramente interessado em um relacionamento sério, como o meio gay é promíscuo, como os outros são complicados, etc. No meio disso, apenas um questionamento autocrítico: será que sou muito exigente? Com o passar do tempo, à medida que as sessões foram transcorrendo e que pudemos ir nos aprofundando na sua psicologia, vários aspectos, entretanto, até então completamente desconhecidos para ele vieram à tona. Foi aos poucos se lembrando de fatos e situações da sua infância que pareciam não ter muita importância, mas que voltavam agora sob um novo ângulo. Junto com essas lembranças, vários sentimentos, alguns não muito agradáveis, foram revividos e, com eles, emoções carregadas de afeto puderam se manifestar mais livremente. Percebendo-se desde muito cedo diferente dos outros meninos (irmãos incluídos) e sentindo-se como se não pertencesse àquela família, ele foi desenvolvendo um quadro de isolamento, permeado por inúmeras fantasias de fuga. Entre elas, a de que um dia seus pais verdadeiros viriam buscá-lo. Nesse processo de escape de uma realidade com a qual não sabia lidar adequadamente, refugiava-se em livros e filmes. Foi ficando cada vez mais solitário, mais fechado num mundo próprio no qual era o único habitante de carne e osso. Com o decorrer dos anos, a socialização escolar o obrigou a desenvolver recursos de interação com outras crianças, mas ainda assim sem nenhuma conexão afetiva muito significativa. Os anos da adolescência, como não poderia deixar de ser, foram bem mais difíceis por envolver todas as complicações decorrentes de se descobrir homossexual e de ter que lidar com elas, mais uma vez, de forma solitária. Agora, a fuga não estava apenas nos livros e nos filmes, mas, sobretudo, nos estudos aos quais passou a se dedicar com enorme afinco. Brilhante, passou no vestibular, concluiu o curso com sucesso e ingressou numa ótima organização na qual vem fazendo carreira. Sua auto-estima se elevou, ganhou o respeito da família e, depois de muito sofrimento interno, assumiu-se para eles. Eles o aceitaram de forma condicional: tudo bem, desde que mantivesse a discrição e o assunto ficasse à distância. Escolhi esse caso para comentar por seu caráter recorrente na clinica homossexual. Evidentemente o simplifiquei bastante para adequá-lo ao objetivo deste espaço. Esse paciente, assim como muitos outros que atendi ao longo dos anos, acabou caindo numa armadilha complicada. Como forma de compensar aspectos de sua psicologia que não puderam ser integrados à sua personalidade consciente (tais como sua sensibilidade e criatividade) desenvolveu-se psicologicamente de uma forma unilateral. Ou seja, investindo boa parte de seus recursos psíquicos na construção de uma persona fortemente atrelada ao campo profissional. Com isso, para ser bem-sucedido e, portanto, aceito pela família e respeitado pelos amigos, teve que deixar de lado os aspectos mais afetivos e relacionados à capacidade de troca e de estabelecimento de intimidade emocional. Crescendo na solidão de uma vida que não parecia ser a sua, precisou criar mecanismos poderosos de defesa para atravessá-la de forma satisfatória. Compreendeu muito cedo que só seria amado se pudesse atender às expectativas familiares e sociais e que, em última instância, não poderia depender de ninguém. Tornar-se auto-suficiente, financeira e, principalmente, emocionalmente, reduziria sua vulnerabilidade e o colocaria numa posição de controle sobre sua própria vida. O problema dessa “estratégia” psíquica é que, no outro lado da auto-suficiência defensiva, podem estar os verdadeiros motivos para a sua solidão amorosa. Incapaz de se arriscar e de se lançar na experiência nebulosa do amor sem estar sempre com os dois pés atrás, cada tentativa frustrada reforça sua crença básica inconsciente de que não pode mesmo contar ou depender de ninguém. E com o tempo, se nada mudar, é bem possível acabar mesmo acreditando que pode viver muito bem sozinho. Será?"

Klecius Borges é Psicólogo (CRP 06/6283) e atua em terapia afirmativaterapiafirmativa@uol.com.br

11 comentários:

Cara Imperfeito disse...

Pois é, será?
É bem isso, passamos um bom tempo de nossas vidas fungindo da gente mesmo e depois para (re)descobrir o nosso EU não é fácil...

Aquele abraço!

Ricardo disse...

Meu lindo, que matéria interessante!!!

Não tem como algum de nós não se identificar, mesmo que parciamente!

Beijão!

Trintinha disse...

Amigooooooooooo! blz? Curti muito a reportagem! Muito bacana! Beijos!

hotspot_fortaleza disse...

ADOREI O POST. REFLEXIVO.




http://hotspotfortaleza.blogspot.com/

edu disse...

Acho que vcd devia ir num terapeuta gostosão e... crau!

FOXX disse...

ok
ok

eu precisava ler isso
obrigado

vou por gelo no rosto
pq o tapa na kra tá ardendo

Dawson disse...

Amigo!

Adorei o post... psicologia é o que há mesmo!

Bj Bj!

=]

il Bastardo disse...

já havia postado esse texto no meu blogger uma vez...
impossível não identificar-se né!
grande abraço!

luma disse...

Muita gente se identifica com o texto. É sentir-se como um cachorro correndo atrás do próprio rabo! Bom fim de semana! Beijus

BlueBob disse...

Olá Latinha!!!

Uau, que texto! Em boa parte dele me vi retratado. É uma situação recorrente mesmo.

Amigo, me emocionei com o que escreveu sobre o Galileu! Li um pouco atrasado esse post. Não é a toa que dizem que são os melhores amigos do homem.

Beijão

Gustavo Chaves disse...

Hum, gostei da reportagem! é cara, psicologia é coisa séria, num se limita só a auto-ajuda não, chego a afirmar que auto-ajuda nem é psicologia de verdade

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