Um Ponto!


E mais uma vez lá estava o Outro....

Parecia estar ainda mais bonito desde a última vez que se viram, poucos dias antes... Ele, do canto do saguão, acompanhou-o com o olhar durante algum tempo, viu quando pegou sua bagagem e começou a vasculhar a sala com o olhar. Recostado em uma parede, Ele permaneceu estático, não demorou até que o olhar d´Outro encontrasse com o d´Ele.

Sorriram!

Apertos de mão, tapinhas nas costas, aos costumes começaram a conversar... e como conversam. Ele sempre se encantou com as sonoras gargalhadas que o Outro dava com as bobeiras que Ele costuma falar... Já em casa, o Outro sem cerimônias tomou posse do sofá, enquanto Ele preparava o café. Na "exótico", mas junto dividiriam a bancada, as últimas novidades, algumas risadas e pequenas confissões. Partilharam boa parte daquela manhã assim, até que era tempo do Outro completar a viagem... Ele, por sua vez, faria o "traslado"!  

Tal qual um ponto ao final de uma sentença, o abraço apertado no meio da sala fechava aquele momento, aquele encontro. Abrindo um novo parágrafo para eles... tinha em si a sensação de que o Outro lidava muito bem com a situação, Ele talvez ainda precise de um pouco mais de tempo para se habituar com as regras dessa nova "gramática"...

De qualquer forma, apesar das dúvidas, o clima entre eles não poderia ser melhor... Por uma ironia dessas da vida, Ele se deu conta que talvez Ele e o Outro estejam mais juntos do que jamais estiveram, mesmo quando ensaiaram ser um "Eles".

E no outro dia, lá estava o Outro novamente em seu sofá... 




"...I know who you are
and I love you so far..."



(I KNOW YOU - The Passersby)

Encontros



Perdas & Ganhos



"Não sei porquê, mas eu sei lidar mais com a perda do que com a posse.

Acho que é porque eu sempre perdi mais do que ganhei."


Vi essa frase em um texto, muito bacana por sinal, nesta semana. De certa forma ela ficou reverberando na minha cabeça nos outros dias, acho que no fundo me identifiquei, não que eu queira fazer o papel do "sofrido" aqui, mas confesso que a frase de certa forma fez todo o sentido para mim. 

Ainda que de verdade eu não considere que tenha "perdido" nada, muito pelo contrário, a sensação em alguns momentos foi a de perda mesmo. Mas a questão é que eventualmente também se ganha! E é nesse momento, que a frase me pareceu ainda mais "verdadeira", visto que nesses momentos acabo ainda mais perdido, inseguro e cheio de ansiedades. Nessas horas me dou conta que assim como as tais "doenças infantis", há na vida também situações em que precisamos ser expostos ainda jovens, sob o risco de termos sérias reações adversas quando somos mais velhos.

Mas tenho que reconhecer que tenho aprendido a lidar melhor, ou pelo menos tentado [ehehe], com tais situações. Ainda que a primeira reação seja a de voltar "a prancheta", mapear valores, rever cálculos e fórmulas para ajustar parâmetros, velocidade e curso, em algum momento tenho me dado conta que as vezes tudo o que é preciso fazer é deixar o tempo ser tempo e ir resolvendo as coisas on the fly.

-- x --

Momento "autocritica": Eu sempre me sai melhor onde os outros geralmente acreditam ser mais complicado ou então me seduzi por aquilo que normalmente não seduz a maioria das pessoas. São as improbabilidades como eu brinco, aquelas situações mais improváveis mas que eu vou lá e acabo conseguindo fazer "alguma coisa" inesperada.

Também tenho que reconhecer que eu fui o adolescente "mais velho" que eu já tive notícia até hoje, agora que já sou um homem feito, sou praticamente um "Benjamim Button" da vida e com o passar dos anos tenho a sensação de estar ficado mais leve, menos sisudo e mais jovem (eu espero!). Aliás, "ser jovem" parece que vai ser minha sina, minha aparência física nunca esteve de acordo com minha idade cronológica... E isso rende algumas situações interessantes, outras nem tanto. 

De qualquer forma, tenho que reconhecer que minhas improbabilidades, quase sempre tem como resultado a probabilidade mais clichê. Fato!

Mas quem sabe uma hora dessas, não é?! 

Enquanto isso, no meio tempo, vamos que vamos! kkk





"Eu achava estar pronto pra me apaixonar, mas na verdade só ter
desejo, não é ter encontrado o começar da paixão, uma pessoa muito
especial na minha vida falou pra mim que eu escrevia sobre paixão mas
não a queria de verdade, pensei, na verdade eu queria tudo vindo lindo
e prontinho, não estava pronto pra semear, fiquei frustado, pois
descobri que não sou um bom agricultor...
Uma outra pessoa me escreveu falando que eu não
sou agricultor e sim artista, e vejo que é muito difícil, você ter uma
visão a frente dos outros, uma visão apaixonante pela vida,
sentimental demais, extremista no orgulho, com medo da velha maneira
de se apaixonar... mas não posso dizer que sou auto-suficiente,
preciso encontrar o chão da minha árvore..."
(Desconhecido)



O menino de Humanas...


Já era fim de tarde, como eu iria ficar até mais tarde naquela segunda-feira "braba", resolvi ir até a cantina para tomar "aquele" café, necessário para dar coragem para as últimas duas horas que me esperavam naquele dia.

Lá chegando, me deixei seduzir pela apetitosa aparência de um salgado, a essa altura da vida eu já deveria ter entendido que aparência não conta muito nas relações, vale o que está por dentro! Mas, vamos que vamos... Me sentei em uma mesinha no canto, estrategicamente escolhida para ficar lá, quieto...  apesar do salgado não ser lá essas coisas, o café estava excepcionalmente bom, muito bem tirado!

E foi quando eu o vi!

Em pé, conversando com uma pessoa mais velha, provavelmente um professor (?)
Um típico "menino de Humanas"... magrinho, camiseta regata azul marinho, bermuda puxando para um tom de verde, chinelos, não era exatamente um menino a julgar pela barba que ostentava, bem aparada e de certa forma desenhada... talvez um "Q" de árabe?!

Fico admirado como ele parecia tão bem vestido apesar da simplicidade das roupas, como nossas mesas não eram tão distantes, pude ouvir um pouco da conversa... algo relacionado à políticas! Fiquei a observar os gestos, a forma como ele falava... definitivamente era alguém que conseguia prender a atenção. Deu vontade me juntar a conversa!

E dai olhei para mim, típico "menino das Exatas"... jeans, minhas botinhas e hoje, no auge da rebeldia, não estava usando camiseta polo, optando por uma funny t-shirt vermelha com o Homer Simpson no peito! Os óculos e o cabelo meio grande (eu devia ter cortado já) com certeza contribuíam para me deixar com mais cara de maluquinho.

Diferente da minha sede oficial, onde #somosTodosEngenheiros, o Campus onde passo a maior parte do tempo tem uma grande diversidade de cursos e por conta disso o perfil dos alunos é bastante plural, é muito legal conviver com essa diversidade.

Terminei meu café, conferi os últimos e-mails pelo celular e vi que novas pessoas chegavam para a conversa, na saída, enquanto ia deixar minha xícara no balcão, nos cruzamos na entrada, um sorriso, um aceno de cabeça e fui embora para o meu mundo de Exatas, quem sabe qualquer dia nos esbarramos de novo por lá...

Pedaços do meu dia nessa semana quente! 

E essa foi uma daquelas semanas em que não teve diversão! Geralmente eu diria que trabalho sem diversão fazem do Latinha, um chatão! Mas até que não posso reclamar, apesar da canseira, de ter sido naquele esquema de chegar de manhã e sair de noite, acho que o saldo ainda vai ser positivo!

E, "vamos que vamos"...

-- x --

Então, teve uma pessoa que me deixou um recado em um post mais antigo, queria agradecer e dizer que fiquei com muita vontade  de responder a mensagem. Por isso, quando essa pessoa ler esse post, queria pedir que se ela quiser me envie um e-mail (algernon.br@gmail.com), seria legal conversarmos. E como diria minha Abuela, tenha calma que tudo com tempo tem tempo! ;-)

(WE ARE YOUNG, Fun. feat. Janelle Monáe)

"...The moon is on my side
I have no reason to run
So will someone come and carry me home tonight
The angels never arrived
But I can hear the choir
So will someone come
And carry me home..."

I´m a weirdo


Tripulação, check de portas!

Foi só nesse momento que realmente me dei conta de tudo que tinha acontecido! Talvez a correria para antecipar o embarque em um voo mais cedo naquela tarde quente de domingo, não tenha deixado espaço para que tivesse a exata noção de tudo o que estava acontecendo. Foi naquele momento, já com os cintos afivelados é que o sangue "esfriou"...

Me dei conta que novamente, lá estava eu em uma situação que havia prometido a mim mesmo não passar novamente. Mas, de que vale a vida se a gente não pode quebrar uma ou outra promessa feita a nós mesmos, não é?! Assim, na mesma velocidade que o giro do motor aumentava prestes a decolar, aumentavam o número de pensamentos que passavam na minha cabeça...

Tal qual quem vai acordando de um sonho, o céu azul ensolarado foi dando espaço ao cinza sisudo que reinava naquela tarde em São Paulo, de volta a realidade das coisas! Confesso que não me importei muito, coloquei meu casaquinho de velho e caminhei em direção ao estacionamento. Se pouco mais de 24 horas antes eu cruzava aqueles mesmos corredores cheio de dúvidas e inseguranças, naquele momento eu trazia na mochila novas dúvidas e várias "outras coisas" a pensar e a organizar. Longos dias seria necessários até que pudesse começar a entender, estabelecer relações e conhecimentos.

Conforme era possível prever, várias xícaras de café, em silêncio, foram necessárias para [tentar] colocar a cabeça em ordem, várias outras pelo jeito ainda virão... 

Em meio as incertezas, em algum momento me dei conta de como havia reagido diferente dessa vez, não mais sentia o medo pela perda, mas experimentava um assustador bem-estar pela experiência vivida, ainda que isso fosse até mais assustador. Na minha vida, tenho aprendido que algumas coisas não se repetem, há ainda o fantasma do "quase", mas diante todas as possibilidades do futuro, eu esteja aproveitando o "só hoje".

E hoje, foi um dia muito bom!

Ao entrar no carro, a primeira música a tocar aleatoriamente foi uma velha conhecida, coincidentemente a mesma que tocou quando cheguei ao meu então destino! Impossível não lançar um olhar desconfiado para o rádio, enquanto virava mais um carrinho em meio a tantos outros carros...

(CREEP (Cover) - Brian Justin Crum)


"...
I wish I was special
You´re so fucking special
But I´m a creep, I´m a weirdo
what the hell am I doing here?
I don´t belong here
..."

Eu sou maior...

Quando o Latinha nasceu, eu andava em um momento "estranho" da minha vida... apesar de na época já ser um mocinho feito, eu ainda não tinha sido tocado por uma série de sentimentos, tais como: amor, desejo, atração. Naquele tempo, após ter experimentados alguns deles pela primeira vez, sentia uma dor que até então desconhecia... sentia a falta do que nem conhecia.

Foi então que apareceu o Latinha, como eu não tinha culhões para assinar um blogue com minha própria carinha de menino criado pela avó, ele me pareceu o melhor Avatar para aquela missão de tentar expor o que se passava, eu precisava falar e ele me representava, que conste dos autos que levei bons dias até chegar a conclusão de que Persona assumiria, até que cruzei com a figura do Homem de Lata... e nos encontramos!

Os anos se passaram, mas os sentimentos ainda estão lá...

O "jovem senhor" que eu sou hoje, vez por outra se reencontra com aquele "jovem sonhador" de outrora e juntos chegamos a conclusão de que ainda há muito a ser absorvido e entendido... Ainda há dias que nós nos perdemos, ficamos perdidos sem nem ao menos conseguir distinguir se o que estamos sentindo é dor ou é algo bom... E lá ficamos perdidos em pensamentos!

Se durante um tempo o Jovem Senhor ainda se parecia muito com o Jovem Sonhador, pelo menos nos últimos anos eles se distanciaram... e ainda que partilhemos dúvidas, inseguranças e alguns medos, hoje posso dizer que eu sou maior...


MAIOR - Dani Black feat. Milton Nascimento


"Eu sou maior do que era antes

Estou melhor do que era ontem
Eu sou filho do mistério e do silêncio
Somente o tempo vai me revelar quem sou..."

Até ;)

É Primavera...



E de repente a primavera chega, novas cores, invadem o cinza sisudo dos dias nublados. O Sol traz uma nova luz deixando essas cores ainda mais vibrantes, dando um toque especial a cada fresta, a cada canto... E assim, andando distraído em meio a esse montão de cores é que às vezes enxergamos aquela flor, algumas são mais exuberantes, outras mais tímidas, mas que por alguma razão nos chama a atenção e vencida a resistência de ir "inspecionar" mais de perto, começamos a conhecer aquele mundo, que para nós é tão novo.

Todas as flores possuem sua beleza, precisamos apenas ter olhos para ver. Para além daquelas que nos seduzem ao primeiro olhar, confesso que prefiro as “tímidas”, algumas vezes aparentemente mais simples, mas que quase sempre guardam em si uma beleza e mistérios únicos. E assim, instigado por um detalhe aqui, com a “complexidade” dos desenhos presentes em cada uma de suas pétalas, pelas marcas carregadas em seu corpo, vamos nos sentidos encantados por aquela rosa.

Tem Rosas que duram dias, algumas irão durar por apenas uma estação, há também as que só aparecem vez por outra, mas o mais importante é que todas elas nos tocaram em algum momento e assim, sempre deixam uma nova cor, um novo perfume em nossa vida...

E isso é sempre muito bom...
 
“... e então aconteceu: do fundo de meu coração, eu queria aquela rosa para mim. Eu queria, ah como eu queria. E não havia jeito de obtê-la. [...] no meio do meu silêncio e do silêncio da rosa, havia o meu desejo de possuí-la como coisa só minha.
Eu queria poder pegar nela.
Queria cheirá-la até sentir a vista escura de tanto perfume...”

(CLARICE LISPECTOR, em Cem Anos de Perdão)



I´m back! :)