Das coisas que não vão acontecer...

Costumo dizer que existem coisas que não são para serem vividas, são apenas para estarem ali, como aquele postal de uma viagem que fazemos e trazemos aquela recordação de um lugar que de fato não visitamos, mas chegamos tããão perto. Talvez essa seja minha relação com Ele... um lugar que não vamos nunca partilhar, mas que ambos sabemos que poderia ser muito bom.

Ainda lembro do nosso primeiro encontro...

Por conta das nossas conversas, eu sabia que naquele dia ele chegaria de viagem, não foi difícil "triangular" algumas informações e estimar a hora de sua chegada, sou bom nisso! (ehehe) Pensei em apenas observá-lo de longe, mas em um surto de "ousadia", que não ocorre muito frequentemente, lá estava eu... Eu o vi desembarcar, primeiro acompanhei-o com os olhos, poderia desenhar a malha que ele usava naquela manhã, a carinha meio amassada da viagem e tinha o queixo... Ah! Aquele queixo! 

Parei ao seu lado enquanto ele arrumava algo na mala... e fiz minha "tradicional saudação"... "Oie!".

Nota mental, não tente fazer isso em casa... Acho que posso tê-lo assustado um pouco! Mas ele foi super receptivo e naquele instante começava alguns dos trechos mais bacanas do livro da minha curta vida amorosa. Seria o final perfeito, se fosse um filme... mas isso é vida real, não é um daqueles programas da TV que nos faz achar que tudo sempre acaba bem! ;-)

A verdade é que algum tempo depois cada um tomou seu caminho, mentira... ele se foi e eu fiquei! Vamos aceitar que doí menos, não é mesmo!? Hoje eu sei que ele tinha as questões dele, talvez muito maiores que as minhas, também sei que eu não estava pronto para viver aquilo... foi uma "amostra grátis" de como as coisas podem ser boas. As condições e variáveis para que algo muito bacana acontecesse estavam presentes, disso não tenho duvida, aliás... até hoje temos algo que é só nosso, não sei explicar, mas está lá... Enfim, apesar dos rumos, eu nunca consegui ser indiferente a ele, acho de verdade que ele não mereça... por sua vez, ele acredita que já me causou "muitos danos"... se "exilando" durante algum tempo.

Mas vez por outra ele surge... tem sido assim ao longo dos anos desde então, meus amigos mais céticos costumam dizer que ele só aparece quando está carente ou precisando de colo... Ainda que não possa dizer que eles estão errados, prefiro acreditar, até para aliviar minha culpa, que no fundo ele sabe que meus sentimentos para ele sempre foram sinceros, a tal ponto que posso realmente vê-lo como é... e por não julgá-lo, acabo por acolhê-lo. Isso acabou por permitir que eu o conhecesse um pouco melhor do que a grande maioria das pessoas, que "compra" a imagem que ele se esforça tanto em vender. Na verdade, já o acompanhei por momentos delicados em relação a sua família... 

O tempo e o distanciamento tem o poder de nos permitir ver as coisas com maior clareza, ainda que tenha plena consciência de que nada mais irá ocorrer entre nós, ele para mim nunca será apenas "alguém". E durante os anos, houve apenas uma situação em que me vi forçado a usar de palavras mais fortes com ele, acho que naquele dia estabelecemos os marcos do nosso novo "relacionamento"... não me arrependo! Acho que ele não esperava... ;-)

Mas porque estou falando isso mesmo...?

Ah! [kkkk] Dias antes do feriado, recebi uma mensagem dele... tal qual aquele gato "de rua", que vez por outra surge na soleira de nossa porta, meio sujo, meio machucado, lá estava ele... (e seu queixo!)... eheheh  Dois meses depois de nosso último contato, ele surgiu me chamando de "sumido"... típico! É bem verdade que boa parte do silêncio foi imposta por mim, mas... a distância era a mesma... No fundo eu sei que esse é um período complicado para ele, poucos anos atrás ele perdia a mãe nestes dias... e não é difícil para mim compreender as complicações e implicações disso na vida dele... 

Mas não falei nada, como bom amigo... procurei ajudar no que era possível, ainda que o assunto em si não tenha vindo a tona, conversamos, trocamos diversas mensagens, soube dos seus feitos, ele perguntou dos meus, exercitamos a arte da corte... até quando, tal qual o gato que eu mencionei anteriormente, ele irá "bordejar" por aí quando estiver mais fortinho... paciência!

Por mais que eu saiba que nada acontecerá entre nós e para ser sincero nem desejo qualquer aproximação, confesso que por vezes fico pensando como seria o "e se..."... Tudo parece tão no lugar quando estamos juntos, tudo parece se completar tão perfeitamente, que chego por vezes a duvidar da minha sanidade [ehehehe]... Mas acho que vocês entenderam... 

No fundo, talvez seja isso mesmo, tudo seja tão certo justamente porque nunca serão de fato vividas, tal qual aquele sonho em que acordamos no meio... (Falar em acordar, ele tem a carinha amassada mais linda que eu já vi pela manhã... ehehe... )


(Paula Toller - Grand´Hotel)

Acho que nunca falei Dele dessa forma aqui no blogue, que me lembre há uma ou outra menção discreta a Ele, mas enfim... nem sei direito porque isso resolveu aparecer hoje, plena segunda-feira! eheheh

Na verdade, como eu disse no outro post, é tempo de fazer alguns fechamentos... e já era tempo de fechar de vez esse capítulo... está feito!  

"Fim de História"

Um dia um caminhão
Atropelou a paixão
Sem os teus carinhos
E tua atenção
O nosso amor
Se transformou
Em "bom dia!"
(Grand´Hotel - Paula Toller)

5 comentários:

Eduardo de Souza Caxa disse...

Hmmm, todo mundo pensando nas coisas que não vão acontecer...

Será a água? SABESP, tem que ver issaê!...

Paulo Roberto Figueiredo Braccini . Bratz disse...

Isto faz parte da vida de todos nós querido! Histórias não vividas ou vividas parcialmente. Não gosto disto mas fazer o que não é mesmo? Pelo menos, ao que parece, está mais ou menos bem resolvida no seu caso ... Nem que seja pelo tempo.

Aguardando vc para uma visita em minha próxima estada em SP. Eu estou ficando, sempre q possível, no mesmo Ap. Um cantinho que quase já sinto como meu ... rs ... quem me dera ... acolhedor e extremamente bem localizado. Ali pelas bandas da Frei Caneca com Caio Prado ... adoro ...

Beijão

Luiz Carlos Lucas disse...

Cético? Alguém me chamando?! (rs)

Acho que mesa de descarrego é pouco. Que tal partirmos pro ebó? (rs)

Jose Soares disse...

Compreensão é bom. Faz a vida ser mais colorida, mas ser usado é algo que você não merece!
Nenhum afeto verdadeiro da nossa parte pode ser tratado por um gato de rua!
É condenar esse afeto a terminar no meio fio!
Bjs

No Limite do Oceano disse...

Eu senti o carinho que sente por ele, e faz parte fecharmos certos capítulos da nossa vida, custa e dói muito mas a saudade ficará sempre dentro de nós.

Não sei se irá reler o texto que escreveu, mas se daqui a uns tempos sentir saudade, relê, vai ver que ajuda :-)

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