As coisas como ela são....

Hoje eu queria escrever sem metáforas, sem meias palavras, sem tentar florear muito as coisas, será que consigo? Há tanto tempo me escondo de tudo e de todos, que as vezes tenho a sensação que estou perdido em mim, acho que de várias formas extrapolei todos os papéis que eu podia ter assumido. Lembro-me que desde muito cedo meu pai dizia para que eu não tentasse sempre ser "o certinho", mas de nada adiantou, e lá fui eu, queria ser o bom aluno, o bom filho, o bom empregado.

Em muitos aspectos eu fui bom, ou sou, bom. Eu sou aquele que nunca chega atrasado, que sempre se lembra de imprimir o mapa antes de ir para a festa, que imprime 2 copias do e-ticket antes de ir para o aeroporto (para que possa ter um menos amassado na hora de embarcar de volta), aquele que tem planos, e por ai vai. Por essas e várias outras eu poderia ser classificado como um "menino criado pela avó que toma banho a tarde e fica sentado no sofá com o cabelo penteado para o lado", como diria minha sábia irmã.

Que meu pai não me escute, mas ele estava certo. Acho que hoje começo a ter uma exata dimensão do que ele queria dizer, tentei tanto ser "certinho" que acabei perdido, criei tantas regras que eu mesmo não as consegui cumprir depois, violei aquela que deveria ser a primeira e mais importante, viver! Na verdade não só violei como cedi a tentação de acreditar que se não tivesse que lidar com um problema, ele desapareceria. O que por um tempo até funcionou.

Apesar da minha suposta cara de tonto, eu sempre fui um observador, sempre me apeguei aos detalhes e como bom virginiano, sempre tenho um olhar de avaliação sobre as coisas, sempre calculei os riscos, estive no controle das situações.

Até que apareceu alguém, aquele que eu pensei ser a pessoa pelo qual todos na verdade esperamos que apareça em nossa vidas. Ele tinha um bom papo, inteligência, mostrava-se uma pessoa agradável e bela. Parece conversa para boi dormir, mas "beleza" nunca foi uma coisa no topo das minhas prioridades, é óbvio que ninguém quer sair agarrado com uma "carranca", mas sempre me encantou o interior ao exterior, detalhes!!! Eu mesmo não me acho bonito, sou um "gordinho esquisito" eu diria. Mas para que fique registrado, ele também era bonito, e para minha surpresa me deu bola!

Eu ainda não sabia o que era paixão, tesão, desejo. E pela primeira vez me permiti "curtir" a vida, abandonei os planos e deixei que a razão tirasse férias, meu coração passou a me guiar. Na verdade, do alto de minha arrogância eu sempre senti a curiosidade de saber como uma pessoa sabia que deveria morar com outro, como a gente sabe qual o momento de pedir em casamento e principalmente como sabemos que "encontramos algo"?

Foram muitas novidades para a vida de um simples mortal. Pela primeira vez todas as minhas bem boladas teorias pareciam não fazer sentido, caíram por terra meu bem elaborado discurso de que caras eram apenas "um instinto", uma curtição. Descobri o que é estar apaixonado, a vontade de estar com alguém, a angústia da espera de que ele apareça no MSN, passei noites acordado conversando com ele e desejando que a noite fosse tão curta. Até que um dia o convite surgiu e eu prontamente aceitei, iria encontrá-lo! (nos meus posts de Dezembro eu conto sobre essa odisséia - a ascensão e queda do Império Latiniano!),

Se passaram pouco mais de 2 anos desde que aquele contato. Para ser honesto, não parece tanto para mim, ainda posso descrever grande parte das coisas que vivi, que senti, me lembro exatamente da sensação de vê-lo surgir entre a multidão naquela rodoviária e poderia descrevê-lo minunciosamente.

Apesar de saber todas implicações, eu cedi a tentação de fantasiar. Sonhei tanto que cheguei a acreditar que haveria um futuro. Meu segundo erro ter aceitado viver de migalhas!

Hoje decidi que não quero mais as migalhas, não quero mais as juras feitas no calor da emoção, ou da excitação. Esses dias um novo convite foi feito, visitá-lo novamente, se falasse que não pensei em ir estaria mentindo, mas, ao invés da alegria dos outros tempos senti o receio da realidade. Pensei se realmente era necessário passar por tudo novamente, porque nada se mostra que alguma coisa vá mudar em relação ao passado.

Por mais que tente, não posso culpá-lo, mas foi somente agora (eu acho!) que realmente compreendi o quão equivocado eu estava. Ele não é uma má pessoa, e eu não fui enganado ou iludido, eu nunca lhe serei indiferente, na verdade lhe sou grato. Mesmo que ele ignore tal fato, eu cresci graças a ele, entendi coisas que ainda não entendia e principalmente descobri que fui "certinho" com todos, mas nunca agi corretamente comigo.

Após ler tantos textos belíssimos sobre despedidas, entendi que é chegada a hora de partir.
(Calma Edu, que o blog continua!)

Pensei em escrever uma carta de adeus, talvez até forçar uma cena, na esperança de ouvir um pedido ou um gesto mais carinhoso, mas pensando bem, eu desisti. Além dele não ser aquele que eu acreditava, provavelmente minha ausência só será observada quando uma noite de solidão chegar, por isso, tal qual o coadjuvante que deixa o cenário discretamente após seus "cinco minutos de fama", eu saio a francesa da vida dele.

Desejo que ele seja feliz, desejo ser feliz, desejo que todos possamos ser felizes.

(Au revoir!)



"Com o tempo você vai percebendo que para ser feliz com outra pessoa, você precisa em primeiro lugar, não precisar dela. Percebe também que aquela pessoa que você ama ou acha que ama e, que não quer nada com você, definitivamente, não é a pessoa da sua vida. Você aprende a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você. O segredo é não correr atrás das borboletas... é cuidar do jardim para que elas venham até você. No final das contas, você vai achar não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você."
(Mário Quintana)

5 comentários:

| ¬¬ disse...

Deixa Eu falar..

Adoro este texto do Quintana e Acho Digno utiliza-lo em despedidas.. Finalizações.. Novos Ciclos..

Eu já usei Ele.. e posso Dizer COm toda certeza, ele faz diferença..

E Eu Sei.. certas Despedidas Doem.. mais esta sua esta tão.. boa.. Sorrisos..

Bjão para Ti.. e Boa Semana..


Sunshine ¬¬

Trintinha disse...

Amigoooooooooooooo! Blz? Olha, mudar sempre faz bem e nunca é tarde prá recomeçar! Se joga, cherry! Agora, me conta, qeu estória é essa de gordinho esquisito? Diga mais isso não, hein? E, uma bronca: quando o senhor vai me add no teu msn, hein? Beijos!

Oz disse...

Já falámos muito sobre tudo isso, né? Então não vou repetir o que já te disse a propósito.
Às vezes, as coisas parecem que acontecem em vão, mas não. Há uma lição a tirar. Algo a aprender. E nós sempre sabemos, no nosso íntimo, quando é a hora de virar a página.
Grande abraço.

edu disse...

Esse Quintana copiou algum texto meu, porque é exatamente o que eu ia dizer! Claro que falar/escrever é fácil, mas pelo menos é uma maneira de ir "adestrando" o coração. Parabéns pelo aprendizado, gordinho esquisito do tio! :-)

Free tunninG disse...

ai , eu vo chora assim.

serio , meu este aew disse tudo o que eu quero dizer também, eu comecei este blog , com o intuito de mostrar pra alguém o qunaot eu o amava, mas ele quando leo o blog , não se mostrou nem um pouco incentivado, tudo pareceu tão perfeito, todos achavam um casal lindo, mas infelizmente era só da minha parte, ele não era um garoto pra mim, corcordo, ele acima d etudo não gostava de mim.
Mas tudo bem aprendi a cultivar meu jardim e hoje até beijas-flores veêm me visitar.

=D

Postar um comentário