Augie Doggie & Doggie Daddy [2]


Já que ontem foi Dia dos Pais, quero partilhar com vocês um dos meus "pequenos tesouros"... 

Meu Pai é daquela geração que não era para criada para ser pai, era para ser o provedor, o grande mentor, ter carreira, casar e aposentar, por isso que não temos o tipo de relacionamento que eu teria com os meus filhos, se por ventura viesse a ter algum. Se entre eu e minha mãe, sempre prevaleceu a amizade antes dos laços de sangue que nos unem, com meu pai sempre fomos "pai e filho"... nosso relacionamento sempre foi "burocrático", as coisas sempre são cheias de "protocolos" e há toda uma dancinha [ehehe]. O que não significa que o amor seja menor...

Também tenho que levar em consideração que meu pai perdeu a mãe dele muito cedo, por volta dos 9 anos, imagino o quão duro deva ter sido para ele... Obviamente isso deixou marcas nele, marcas que por vezes são complicadas para nós, mas que não o impediu de tentar ser um pai amoroso (ainda que tenha imensa dificuldade em dizer ou se expressar), preocupado (muito) e "torcedor" (dos grandes) de nossas conquistas e vitórias. Tenho a certeza para ele que todos nós aqui em casa estamos congelados nos 14 anos e até hoje, seja na hora de trocar um pneu ou fazer alguma coisa "mais séria", ainda ouço: "Me dá isso aqui que você é muito atrapalhado!"

Me lembro do dia que me mudei para minha casa, minha irmã me contou depois o quão arrasado ele ficou, chorando, se culpava pela minha "mudança" - afinal, segundo ele, eu havia tomado a decisão de aceitar aquele trabalho por insistência dele e agora ficaria longe de casa. Hoje em dia já não somos mais pequeninos e vez por outra algumas palavras mais fortes são trocadas também, creio que ele se esquece que foi ele mesmo que nos aguçou o senso crítico e que nos deu os genes "cabeçudos"... mas tudo sempre com respeito e carinho. Minha irmã tem mais acesso à ele e não raro, fico a observá-los conversando, ela puxando-lhe as orelhas...  ehehe

Tudo bem que ela sempre foi o xodó dele... lembro de uma vez, em uma confraternização do trabalho dele, houve um jogo de futebol! Lá pelas tantas, alguém fez uma falta forte em meu pai e ele caiu ao chão... Minha irmã, do alto dos seus 6 anos mais ou menos, mais que depressa catou um pedaço de madeira que por lá estava jogado e invadiu o campo gritando: "Seu f* da p* quer matar meu pai!!!"  (Uma mocinha de bons modos como bem se vê pelo linguajar)  Isso virou lenda naquele ano, motivo de risadas por muitas festas!

Entre nós já tivemos nossos altos e baixos, pensamos diferente em muitas coisas (ou não!), mas sempre estamos lá! E o que quero compartilhar um é "dos nossos momentos"... Antes mesmo de nascer e ainda quando eu era um bebê, ele tinha por hábito "me escrever", e é uma dessas cartinhas que partilho com vocês hoje... 




Nessa época eu era um simpático garotinho de cabelos fartos (um capacetinho mesmo hehehe), que ensaiava os primeiros passos e estava passeando pela casa dos meu avô (pai dele)... Em casa, temos aquela famosa "pasta com documentos" e nela estão guardadas algumas dessas cartinhas, não são muitas e o envelope e o próprio papel denunciam que o tempo passou... 

Mas esse ano me deu vontade de visitá-las...

Gracias Papito! 

Espero que todos tenham tido um bom dia ontem... seja abraçando seu pai, seja se lembrando de bons momentos que puderam compartilhar ao lado dele!

E para quem ainda não sabia (será que tinha gente que não sabia!?) nas horas vagas eu atendo pelo nome de Leonardo! (Léo) ehehehe


(Cena extraída do filme, One Day)

11 comentários:

N a m o r a d o disse...

Que post tão sentido, tão genuíno e feliz. Adorei :) Feliz dia do pai para você. Tudo de bom para ambos! Abração

Luiz Carlos Lucas disse...

Eu pensando aqui com meus botões: pronto! o rapaz se entregou! (rs) Se bem que, fora a torcida do Corinthians e do Flamengo, pode ser que alguém ainda não soubesse o seu nominho, né! Mas, falando sério: super bacana essa relação com papis! A que eu tive com o meu não chegou nem a 10% da sua... Enfim, ficou um post tipo "um pequeno passo para o homem, um grande salto...” bem-vindo ao mundo menos enigmático. (rs)

Latinha disse...

Lucas,

Mais uns 5 anos e acho que posto uma foto de rosto! eheheh
Tá na hora de simplificar um pouco as coisas, nzé?!

No Limite do Oceano disse...

Amei o seu post Latinha. A relação entre um pai e um filho tem um mundo estranho no qual temos que viver nele. Adorei a forma como passou a sua relação com o seu pai, o que sente e até que ponto encontra "desculpas" para determinados comportamentos.

Ser pai é complicado e ser filho não deixa de o ser!

Abraço.

Paulo Roberto Figueiredo Braccini . Bratz disse...

Perdi meu pai com 24 anos, já vivi 40 anos sem ele. Ainda tenho saudades e pelo q imagino acho q seríamos dois grandes amigos e companheiros.

Eduardo de Souza Caxa disse...

Cartinha!!
Tal pai, tal filho! Muito fofos os dois (mesmo que tentem disfarçar)!

Homem, Homossexual e Pai disse...

estuo por aqui com grande inveja da tua relação com teu pai... meu pai é um caso perdido...

Mark disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Mark disse...

Os tempos mudam. É sempre curioso olhar para os nossos antepassados e tentar encaixá-los e explicar os seus comportamentos.

O dia do pai, em Portugal, comemora-se a 19 de Março. :)

abraço.

Três Egos disse...

Nossa, pode-se dizer que apesar de tudo você tem um grande pai de dar inveja a muita gente. De verdade. Tive uma relação muito difícil com meu pai, apenas hoje em dia que nos damos bem, mas porque já sou menino crescido e deixei tudo para trás.

E esta carta, gente? Linda demais! Até a letra! Rs...

Gostei muito do seu texto! E sabe que nem tinha percebido que você tinha colocado seu nome? Acho que já estou acostumado. Na verdade tenho que me esforçar um pouco para me lembrar de escrever Latinha... Rs

Grande abraço, Léo!

Fabrício disse...

Adorei seu post, mto linda a carta.
O meu pai ja morreu fez 12 anos, tínhamos uma relação de altos e baixos, mas acho que na média era boa. Essas cartinhas de datas comemorativas tenho guardadas numa dessas 'pasta de documentos', princ. da época de criança, mas nem tenho coragem de revê-las.
um abraço e boa semana.

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