The Voice

"Querido Papai Noel...
Sei que há um bocado de tempos que não escrevo nem um e-mail, sabe com é... a crise, a bolsa, está tudo uma loucura esses tempos... espero que teus investimentos estejam rendendo bem, qualquer coisa tenho um operador bacana para te indicar...

Enfim, nem sei se minha conta ainda vale... mas eu acho que ainda tenho bônus... tenho me comportado bem, na maior parte do tempo, desde aquela época.



Já não quero mais o Autorama, nem o Pégasus dourado que tem o controle remoto, não tenho mais tempo para brincar com eles. Ainda tenho aquele Ferrorama daquele ano, está guardado comigo... Mas se meus créditos ainda tiverem valendo, eu queria pedir uma nova chance... você sabe né?! Apesar da nutricionista dizer que "é muito gordurosa", vou deixar a rabanada no prato em cima da mesa, daquele mesmo jeito... assim fica fácil de você encontrar...


Lembranças ao Rudolf!


Até... L."


Putz... qual era o mesmo o endereço... ;-)

Eu acreditava em Papai Noel, ou Pai Natal... acho que já disse isso aqui em outros Dezembros, mas eu já era grande e ainda acreditava Papai Noel, tá eu era meio sequelado! Precisou um dia que minha mãe e meu pai me sentassem e solenemente me contassem... Natal ficou tão sem graça depois daquele dia...


Adorava a magia do Natal, a espera... que saudades daquela época... Até hoje não gosto de escolher presentes, prefiro a surpresa de recebê-los e a cada rasgar do papel ver revelado o seu conteúdo... Adoro ver os pacotes ao pé da árvore, adoro ir atrás das frutas, das castanhas, adoro o gostinho do damasco nesta época... me lembra meu avô chegando em casa animado e cheio de compras... ele adorava esses preparativos.. 

E essa semana eu fui surpreendido por uma cordial ligação, do outro lado, a voz de alguém que já me foi muito querido, dono de uma voz e um sotaque que me mata até os dias de hoje... na verdade, ele tem é um "híbrido", reunindo na medida certa dois sotaques que me apetecem muito - até demais! [kkk] Engraçado como há coisas que nos marcam, havia um bom tempo que não nos falávamos por telefone, só por e-mail ou msn, então me foi uma grata surpresa ouvi-lo de novo.


E dezembro chegou... estou na regressiva para tirar uns dias de férias, esse não foi um ano muito fácil no trabalho e, ainda esses dias comentava com uma colega que se não fossem o pessoal com quem trabalhamos eu já teria partido. O que não significa que não esteja procurando, que falta me fazem aquelas propostas indecentes que eu costumava receber...  mas espero que o ano novo me traga novos ares!

Tenho 20 dias de trabalho pela frente, nesse período há tanto por fazer que não sei por onde começar... aliás, até sei, mas... então começarei pela minha lista de presentes! Há tempos devia tê-la feito, mas ainda não fiz... comprei alguns poucos por ocasião de uma visita a uma loja que descobri e aproveitei... mas nada muito planejado e ainda faltam alguns... 

No meio tempo, há ainda uma viagem a fazer antes do Natal... com direito a ter a chance de ver "as franjas" do mar antes do ano acabar... 

E se eu tivesse que resumir meu estado de espírito nesses últimos dias, esse resumo seria mais ou menos assim:


"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, 
que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, 
que nos levam sempre aos mesmos lugares. 
É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, 
teremos ficado, para sempre, 
à margem de nós mesmos".(FERNANDO PESSOA)


Abraço grande!

11 comentários:

Cara Comum disse...

Cara, vc sempre certeiro com Fernando Pessoa, hein??

Mas fica tranquilo que o ano acaba e outro começa...

Abraços!!

Kim III disse...

A magia do natal vai muito para além do Pai Natal. Eu sempre soube que ele não existia e ainda hoje o natal me faz vibrar :)

Mais uma vez, bom poema, esse é um dos que mais gosto do nosso grande Pessoa.

Edu disse...

Bom trabalho, boas franjas, e boas festas! E sentar no colo do Papai Noel sempre foi tudo o que eu quis. :-)

Gay Incomum disse...

É, Latinha, parece mesmo que esse fim de ano tem mexido com as emoções desses blogueiros.
Tenho me sentido assim, tendo que abandonar as roupas usadas para não me sentir à margem de mim mesmo.
Acreditei em Papai Noel até um certo tempo, mas o natal continuou mágico pra mim depois.
Tanto tem se falado por aqui de luta, persistência e conformismo, principalmente depois do último post de Foxx, que eu já não sei o que é o correto a se fazer na caminhada.
Acho que eu só queria agora sentar na areia e olhar o mar. Olhar...

Abração!!

Raphael Martins disse...

Ser materialista nos limita bastante.

FOXX disse...

o dia q eu perguntei ao meu pai se existia papai noel ele me respondeu assim: "vc acha que outra pessoa vai te dar presente que não seja eu?"

Eduardo Paiva disse...

Fala Latinha!

Adoro Dezembro! Este período me deixa em estado de alegria constante, mesmo ficando sem tempo para respirar!
Bem, te desejo um ótimo mês cheio de boas surpresas embrulhadas em papel do desconhecido!

Grande abraço,
Eduardo Paiva

Fred disse...

Se tá te sentindo Fernando Pessoa então tá bom demais! E relaxa que até eu ainda espero pelo Pai Natal... hehehehe! Hugzão, babe! E nem faz onda que eu sei que tu é fão número 1 do Victor e Leo, tzá? Hhahahahaha!

Anônimo disse...

Latinha, comecei a ler seu blog recentemente, mas ainda não capturei que é o latinha hauhau, mesmo lendo posts antigos. O que eu consegui descobrir é que vc viaja bastante a trabalho (mas não sei o que vc faz, relacionado a TI?), que os visitantes do blog mudaram, que vc se definia como bi (não sei se ainda se define). Então, vou ler mais alguns posts antigos, mas gostaria que vc fizesse um post sobre quem é o latinha. Sei que tem uns pequenos textos na lateral do blog, mas são muito metafóricos e só quem ler o blog desde o início os entenderá.
Obrigado

Speedy disse...

adoro o natal. Principalmente os preparativos. Já decorei duas árvores e este fim-de-semana vou tentar ir passear para ver as decorações de Lisboa. Talvez faça umas comprinhas... faz parte da tradição.

Luma Rosa disse...

Minha família não adotava a tradição do papai Noel. Os presentes eram colocados debaixo da árvore e após o almoço do dia de Domingo, os presentes eram entregues por quem dava. Quando entrei para a escola, soube da existência do velhinho! Cheguei em casa apavorada, pedindo para a minha mãe não deixar aquele homem velho e gordo entrar em casa! Mamãe foi obrigada a contar que era um personagem e que não existia na realidade. Não acho muito bom investir nessa "fantasia" que se traduz em consumismo e compra de afetos. Amo o Natal!! Pois é tempo de reencontrar pessoas queridas!!
Latinha, venho praticando o desapego faz um tempo - Talvez você tenha lido sobre isso no blogue e pra variar, Fernando Pessoa não contradiz; ele sempre acerta!
Não esquece de pular as ondas, heim?
Beijus,

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