'De quantos acasos é feita uma pessoa?'

Nossos personagens são "Ele" e "Ela"...


Ele, era um jovem um tanto quanto rebelde, criança arteira, tinha fome de mundo e após cumprir o tempo que era devido no quartel, tinha um plano na mente, trabalhar naquela imensa empresa do ramo de petróleo que naquela época já era muito importante. Por sua vez, Ela era uma adorável mocinha de uma famosa cidade do recôncavo baiano, terra de importantes cantores, não teve uma vida fácil, em uma época de muitos costumes e circunstâncias, ela era fruto de um romance de um jovem da sociedade e uma jovem de origem mais humilde - mas que iria ensiná-la o ofício da costura e principalmente a arte da vida.

Cada um ao seu modo teve que vencer importantes batalhas ao longo de suas histórias e muitos anos se passariam até que seus caminhos se cruzassem...

Ele se tornaria amigo do pai dela, diz Ela que achava graça do jeito dele... o resto pouco importa, o romance entre eles nasceu nesse clima, nos anos que se seguiram namoraram e noivaram, até que, não tendo conseguido ser admitido na grande empresa, ele decidiu voltar à São Paulo para tentar conseguir algo. Por acaso, no dia do exame de admissão, um pelo inflamado despontava em sua face, tendo sido esse o motivo alegado pelo médico para não aceitá-lo, ainda que vendesse saúde.

Com a distância, naqueles tempos, o contato em algum momento começou a rarear, até que as cartas pararam de chegar, alguns anos se passaram nesse tempo. Para a família dela, o compromisso continuava válido, para Ela era tempo de seguir em frente...

E talvez tenha sido por isso que escrevera uma última carta, a derradeira! 

A carta chegou a São Paulo, mas não encontrou seu destinatário... algum tempo fazia que ele havia se mudado daquele endereço. Um amigo dele, tendo percebido a chegada da carta, colocou-a dentro de um novo envelope e a enviou para o novo endereço, uma vez que em função do trabalho, ele havia mudado de cidade. E foi assim que finalmente a carta finalmente cumpriu seu destino!

Uma vez desfeito o mistério e com a proximidade de suas férias, Ele refez o caminho da carta, indo ao reencontro dela, algum tempo depois, festejariam as bodas na presença de alguns poucos familiares e amigos, pelo menos é o que registra aquele álbum branco já um pouco amarelado por conta do tempo. 

Eu ainda teria esperar um pouco mais de um ano para que Ela se tornasse a minha Mãe, e Ele, meu pai.

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Conversando com um amigo, acabamos chegando a essa história de família, entre tantos acasos, não fosse aquele médico ter rejeitado meu pai, não fosse aquele amigo do meu pai reencaminhar a carta para a casa do meu avô - permitindo que meu pai a recebesse, eu hoje provavelmente não estaria aqui, nós não teríamos virado amigos e várias outras histórias não teria acontecido.

Revisitando isso me pareceu uma grande coincidência que passados tantos anos, lá esteja eu também entre cartas, amores a distância e São Paulo...



9 comentários:

No Limite do Oceano disse...

Que belo post, com uma história tão bonita! Adorei Latinha.

Acho que todos nós fazemos parte de um destino (ou não) que através de caminhos e atalhos nos fizeram estar cá.

Não é por acaso que os encontros e desencontros fazem parte da vida.

Abraço :-)

Mark disse...

Nunca imaginei que "Ele" e "Ela" fossem os seus pais. Que história bonita! Quem diria que tudo se encaminharia no bom sentido. Parece que nos faz acreditar no destino. :)

Lendo relatos assim quase me faz acreditar que também eu vim a este mundo munido de um propósito...

abração.

Eduardo de Souza Caxa disse...

Um dos teus textos mais lindos, meu amigo. Poético!

Marcos Campos disse...

Rá ! Muito legal ! As histórias das pessoas, ou de como as pessoas vieram à esse mundo, são realmente incríveis !

Abraço !

Vinícius disse...

Que história mais linda! Também não imaginava que seriam seus pais.

É bem divertido esses (des)encontros da vida. Imaginar que escolhemos um caminho e vários outros ficam sem ser percorridos. Que várias coisas aconteceriam diferente do que foram e do que serão. E isso, felizmente ou infelizmente, é impossível saber. O que é mais preciso (e às vezes, o mais difícil) é ser feliz no caminho atual.

Eu espero que consigamos "enjoy the ride"!

Abraços, meu caro!

Paulo Silva disse...

Maravilhosa partilha! Obrigado por a teres feito. Fiquei de coração cheio só de te ler!
Um grande abraço.

Ro Fers disse...

Que bacana...
Coisas do destino...rs

Obs. Deixei um selo para ti no meu blog ok, assim que possível, de uma olhada e publique.
Em caso de dúvidas, estou à disposição.

Dominus disse...

Acasos são os elos da vida, ou a própria vida.
Bonita história.

Três Egos disse...

Parece um romance de verdade. Oops, é de verdade! Rs

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