A vida sem cenouras

E lá se vai mais um dia 08 de Setembro... esse é um dia que acabou por se tornar um dia "meio" complicado para mim, na verdade, tenho certeza que ele irá sempre figurar na lista dos dias mais difíceis da minha vida. Impressiona a constatação de que toda a sua vida pode mudar em questão de poucos minutos, isso se ela não se encerrar...

Via de regra... isso é algo que eu evito falar sobre, prefiro deixar quieto, confesso que me incomoda um pouco, mas alguns poucos anos atrás, eu e minha família entramos para as estatísticas brasileiras ao sermos vítimas de dois homens, que armados, invadiram nossa casa em uma calma manhã do dia 08 de Setembro.

Eu não sei dizer o que é pior... é tudo ruim... Não posso dizer que tive medo por mim, mas tive medo por aqueles que amo. Para ser sincero, essa não foi a primeira vez que me vi sob a mira de uma arma, mas foi a primeira que violaram aquilo que nos é mais sagrado, a nossa casa. Mais do que os bens materiais que se foram, eles roubaram a nossa tranquilidade e a sensação de liberdade que temos ao adentrar nosso lar.

Mas... tudo passa... e se o tempo não cura tudo, ele pelo menos nos dá a oportunidade de ir colocando as coisas aos seus devidos lugares... E se já eramos unidos antes, o fatídico episódio só serviu para que reafirmássemos os laços que sempre nos uniram.

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No mais, um evento e um curso me trouxeram "para casa" na semana passada... mas segunda-feira é tempo de pegar a estrada novamente, playlist já recheada com The Killers e matutar sobre alguns projetos devem ocupar o tempo até chegar "en mi casita".

Esses dias por aqui, me permitiram rever algumas pessoas que eu gosto muito... e foi interessante ouvir de uma delas, uma observação interessante. Em geral, que me conhece no dia-a-dia, sabe que eu sou meio como um daqueles greyhounds, aqueles cachorros de corrida que saem correndo atrás de um coelho "falso" nas competições de corrida.

Como eu brinco... eu sempre precisei de uma cenoura (sem duplo sentido) para me inspirar e fazer perseguir algo, seja profissionalmente, seja pessoalmente. E essa amiga, observou que nos últimos tempos, todas as minhas "cenouras" se foram... e que com isso, tenho aprendido a me virar sem elas - segundo ela, tenho me saído bem, precisando apenas de alguns ajustes aqui outro acolá...


Estranho muito estranho, ... mas tem sido bom... muito bom!

No mais, fiquei com os cotovelos ardidos por ter perdido um café daqueles, onde tenho certeza que as risadas e os papos foram os mais agradáveis! ;-)

Enfim, um post só para marcar que estou vivo!
E que estou voltando para casa... ;-)




Eu sou essa pessoa a quem o vento chama,

a que não se recusa a esse final convite,
em máquinas de adeus, sem tentação de volta.
Todo horizonte é um vasto sopro de incerteza:
Eu sou essa pessoa a quem o vento leva:
já de horizontes libertada, mas sozinha.
Se a Beleza sonhada é maior que a vivente,
dizei-me: não quereis ou não sabeis ser sonho ?
Eu sou essa pessoa a quem o vento rasga.
Pelos mundos do vento em meus cílios guardadas
vão as medidas que separam os abraços.
Eu sou essa pessoa a quem o vento ensina:
- Agora és livre, se ainda recordas
(Cecília Meireles)

7 comentários:

Margot disse...

Cecília Meireles é Diva, como diria o Fred. Simplesmente inigualável.

O sentimento de usurpação é o pior que existe. Nos tira o chão e nos deixe eternamente inseguros, mesmo que não.
Corra atrás de seus ideais com cenoura ou não, meu querido... os ajustes serão feitos aos longo do trajeto..e serão acertados.
beijos

Edu ardo disse...

Tivesse estado conosco talvez seu dia 8 começasse a se curar. Mas se promoveu união, é uma cura tb! Bj

FOXX disse...

gente, isso aconteceu? sério? eu olhei até no calendário aqui que não acreditei que ontem de manhã vc tava correndo risco de vida. nossa! que aperto no coração q me deu...

Ro Fers disse...

Há situações que marcarão do resto da vida, não consigo imaginar minha reação diante uma arma...

Abraços

Mabe disse...

Só os cotovelos arderam??? E as orelhas não queimaram??? kkkkkkkkkkkk. Confesse....pois fizemos a nossa parte no trato....kkkkkkk.... juntam-se todos e falam mal dos ausentes....kkkkkkkkk.

Lucas disse...

Sei bem o que é estar na mira de um revolver! Nossa vida por um dedo, um apertar de gatilho. Tomara que essa sensação tenha sido retirada de vocês por algum anjo bom.

Beijos.

railer disse...

gostei da maneira como você concluiu o texto sobre o 8/9.
gostei do otimismo e da maneira positiva de encarar uma situação ruim assim pela qual passaram.

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