Em primeira pessoa...

A verdade é que por alguma razão, em algum momento, eu fiz a escolha de não amar ninguém, e então tomei todas as precauções para que isso nunca acontecesse comigo. Hoje me pergunto se é possível não amar "ninguém", porque mesmo aqueles que se auto proclamam suficientes, na verdade amam a sí próprios - talvez mais que os outros.

Jamais poderia imaginar, mas naquele momento, eu determina o nascimento do Latinha... por uma dessas irônias da vida, eu só começaria a ter consciência disso anos mais tarde, justo porque alguém tinha vencido minhas defesas e, pela primeira vez, descoberto um caminho para um local onde eu havia trancafiado o coração que até então eu julgava estar adormecido.

De fato, aquilo não era amor, mas serviu como ensaio... é muito estranho desejar alguém, querer estar com alguém, gostar tanto de alguém que chega a doer. Nunca poderei me esquecer do ensolarado dia de sol em que o deixei, aliás... sejamos honestos, em que fui deixado... pois aquela seria a última vez que o veria pessoalmente. Ainda falo com ele até hoje, ainda me encanta ouvir aquele sotaque ao telefone, mas ele a tempos deixou de ser Ele.

O "quase" verdadeiro amor, eu só conheceria anos depois... me encataria com aquele sotaque, me encantaria com as palavras que ele sabe combinar tão também.... à ele foi dada a chave da minha caixa de pandora, e em algum lugar estava escrito que a ele caberia me mostrar do que um amor pode ser capaz... 

Mas, também estava escrito que ele não ficaria comigo... tal como um feitiço, seria eu deixado novamente, coincidência ou não... hoje, olhando para trás, os mesmos elementos lá estavam... o sol a banhar-me a face... o vento a brincar com meus cabelos... só que dessa vez, não era eu que embarcava.... era eu que me despedia, para sempre [ou não?!]

E foi assim, que o menino que um dia escolheu não amar, de certa forma, acabou não sendo o escolhido, e por conta disso, sofreria justamente por aquilo que um dia renegara. Não pode dizer que se arrependera das escolhas que fez, apenas não contara com os "efeitos colaterais", mas, ao mesmo tempo, sabe que foram essas escolhas que fizeram com que cada pessoa que tenha entrado em sua vida, mereça ser lembrada até hoje...


"O homem que hoje me amar
Encontrará outro lá dentro
Pois que o mate"
(ELISA LUCINDA)


E quanto a mim... viajando, trabalhando, indo e voltando! ;-)
Inté!!!

9 comentários:

FOXX disse...

seu melhor texto, sem sombra de duvidas

Cara Comum disse...

Uma leve cor cinza paira neste texto... E eu sempre com a impressão de um acesso difícil numa mensagem quase criptografada...

Amar a si próprio, de todas, é a melhor forma de amar, com certeza!

Abraços!!

sad eyes disse...

Podemos iludir-nos durante um tempo a pensar que podemos controlar sentimentos.
Mas, por experiência, digo que depois sofremos mais.

Edu disse...

E a pergunta que não quer calar é: Pandora está definitivamente aberta para um novo Na'vi agora?

SG disse...

Não tem jeito. Amar dói.

Até projeto de amor incomoda...

Mabe disse...

Definitivamente...o texto se encaixa para muitos....
Enfim...não adianta chorar pelas escolhas feitas, temo que lidar com os efeitos colaterais e tentar, fazer escolhas certas no futuro...se é que isso é possível....

Speedy disse...

Até há quatro anos também pensava que controlava o que sentia. Mas enganei-me. Agora, e cada vez mais (será da idade?), sou mais transparente no que penso.

Carlos Roberto disse...

Sinceramente estou sem palavras para o que acabei de ler. É tão simples, tão despretensioso, ingênuo, até – eu diria; resumiu pensamentos e conclusões que eu tinha a meu respeito. O texto é espantoso.

PARABÉNS.

Desculpe-me, mas sinceramente não sei o que dizer, pois ele próprio já diz tudo.

Fred disse...

Veja meu caso, dear friend: eu amo todo mundo e também não amo ninguém. Coisas da vida. Teu post me deixou pensativo agora... saco... grrrrrrrrrrr! Bjzzzzzzz!

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