Mirror, mirror, on the wall...

Hoje fui na agência buscar minha passagem, enquanto a mocinha simpática emitia meu bilhete comecei a me lembrar de quantas vezes tinha repetido esse "gesto" nos últimos anos e de repente me deu uma sensação estranha, afinal "qual é a minha praia"? Deixa eu tentar explicar...

Em 2002, eu resolvi fazer um curso, mas a área de estudo que me interessava não tinha deste lado da ponte, então..., o destino me levo ao "the dark side of the bridge". As opções incluiam a boa e velha São Paulo, ou Interior (Campinas ou São Carlos, provavelmente), correndo por fora apareceu aquela cidade por quem eu me apaixonaria e seria muito feliz lá, Marília - um dia conto minhas peripécias por lá. Mas a escolha dessa cidade se deu em função do meu desejo de levar o curso em paralelo com minhas atividades profissionais.

Assim, comecei minha jornada. Durante aquele ano, viajaria todas as semanas, uma espécie de bissexualismo profissional, eheheheh, durante meia semana eu trabalhava "bonitinho" e meia semana eu era apenas um aluno desconhecido em uma cidade pronta a ser explorada. Confesso que isso virou uma coisa meio esquizofrênica, mas eu adorava! Mochila nas costas, óculos de sol e vários cafés.

Em 2004 eu terminei meu curso, nessa época já viajava bem menos, mas ainda sim eram constantes. Porém, surgiu um outra oportunidade de continuar estudando, só que mais longe... dessa vez, optei por afastar-me das minhas atividades e fui morar em um apartamento com uns amigos. Vinha sempre "em casa", mas tinha também uma "outra casa" agora.

Tenho grandes amigos nessa cidade e me diverti muito nessa época. (Fazer supermercado de madrugada, dançar a noite inteira e parar na padoca na volta para o "café", fazer corrida de elevador, as hilárias "bahianinha´s sessions" que rolava, as pizzas e as jantaradas - que sempre terminavam com todo mundo ao redor da mesa, embalados por muitas risadas e algumas garrafas de vinho vazias. Adorava me debruçar na sacada, a noite, com minha famosa xícara de chá quentinha e ficar vendo a cidade, sentindo o friozinho da noite... e ficar disputando corrida de cuspe com meu amigo - Oops! acho que isso não precisava ter contado.)

Eu morava com 2 amigos, no início eram 3 - mas tinha uma garota que era uma "vaca albina" e depois de um incidente ela acabou se mudando, assim morávamos Eu, a Menina e o Menino. Formavamos uma especie de família, ela tinha o quarto dela e eu divida o quarto com o Menino, ele era gay, eu um "perdido" e a Menina sabia de tudo - nunca tivemos segredos entre nós. O Menino era mais bocudo, eu era o reservado da estória, mas quando viajei para conhecer o J. eu acabei contando para ela e nós tentavamos arrumar um namorado para ela (e conseguimos!!!, eheheh).

Me lembro das manhãs, eu já tomado banho e arrumado, preparando o café, enquanto esquentava os pães com queijo, ela chegava e preparava a mesa. Quando estavamos quase terminando, o Menino aparecia com a cara amassada, sem camisa e sentava sem cerimonia no colo de quem estivesse mais perto (detalhe é que ele tinha 1.8x). Muito legal, ainda dava tempo de rolar uma geral do dia e por fim, saiamos apressadamente enquanto ele voltava a dormir, sortudo!!! ehehe.

Enfim, hoje quando peguei aquela passagem, por um minuto me veio a mente a dúvida, eu estou em casa? Ou, eu estou "voltando" para casa? Onde seria meu lugar no mundo... tudo bem que o apartamento não mais existe, mas como no final do filme a Ilha, eu ainda acredito no paraíso. Pode parecer que onde moro hoje é uma droga, né? Mas não é não, tenho uma vida feliz também, mas sabe quando bate aquela sensação de se jogar no mundo (né Sun?!), pois é... tal qual um navegador antigo às vezes tenho a sensação de que o mundo me chama.

Outro dia me peguei olhando um e-mail sobre um oportunidade de trabalho no exterior. Será?! Bom, só sei que nada sei, por ora a única coisa que sei é que ano que vem estou de volta a estrada, navegar é preciso!!!.

(Ah! o que vou fazer na viagem? Lembra do curso? Pois é, vou conversar com meu orientador sobre meu trabalho, devo confessar que tenho um certo receio que ele me corte do projeto - pior que agora que tive umas idéias mirabolantes para o projeto, mas devo admitir que não fui um bom menino esse semestre. De qualquer forma, "só não peleia quem tá morto", já me disse um querido amigo, então... )

Beijo a todos, vejo vocês na volta!!! (espero que com boas notícias, eheheh)

DITOSOS a quem acena
Um lenço de despedida!
São felizes: têm pena...
Eu sofro sem pena a vida.

Dôo-me até onde penso,
E a dor é já de pensar,
Órfão de um sonho suspenso
Pela maré a vazar...

E sobe até mim, já farto
De improfícuas agonias,
No cais de onde nunca parto,
A maresia dos dias.
(MARINHA, Fernando Pessoa)

(Inté)

(Update (09h10): Esqueci de dizer que ainda não consegui responder aos comentários, mas assim que eu conseguir respirar eu ponho as visitas em dia!!! Não me deixem só!!! ehehehe. Abraços a todos!)

11 comentários:

Raphinha disse...

Saudades...
Sem nem saber onde é seu lar? Seu lar é onde vc se sentir bem.
Adorei o post.
Corrida de cuspe?kkkkkkkkkkkk

Latinha te citei no meu blog.Espero não ter problemas quanto a isso.Caso tenha eu peço desculpas.
Não se preoculpe, é coisa boa.

Grande abraço.
Cuide-se.

edu disse...

A Liberdade te chama, meu amigo... Vontade de bater asas e não ter que explicar nada a ninguém, talvez. Morar fora seria supimpa, alta experiência! Mas onde quer que você esteja, a liberdade vai dentro do peito. Solta a franga!

Eduardo disse...

Marilia? isso me lembra a unimar ahuaiuah maldita faculdade!! ehehe
Meus dois melhores professores são de lá! num posso opinar muito pq só fui uma unica vez para lá o_O

Enfim, tb mudo ano q vem! tomara q seja para facul e não cursinho

Abraços Bad Bad Boy

Greco disse...

Marília? Eu morava lá... voltei pra Sampa ano passado, porque nunca me contou?

abs

Greco

Di disse...

Bem, boa viagem entao...to vendo que vc está com espírito aventureiro. Good Luck !
Abraços

Adso Eco disse...

"O lar é o descanso do guerreiro."

Mas eu creio que aos viajantes como na Bíblia: "Há muitas moradas na casa de meu Pai."

Não importa se aqui ou lá. O lar é construído a cada dia dentro de de nós.

Ah a propósito do post, estou bem, obrigado... meio sumido mas bem.

Ricardo disse...

Menino... vc falando dessa coisa que vc viveu com seus amigos... me deu saudade de um tempo que eu vivi algo parecido... pena que nenhum deles era meu amigo de verdade...

É triste vc lembrar de uma situação e reconhecer que vc não foi nada mais que o apêndice de outra pessoa...

Ah, enfim!!!

Estou doido pra recomeçar a estudar!

Eu fico me dando desculpas financeiras pra não estudar, mas acho que vou ligar o foda-se e meter as caras!!!

Beijão, querido!
Boa sorte!

Di disse...

Latinha, Juro q não entendi...esta pouco confuso o post. Vc esta vindo pra sampa? quando ? Favor avisar meu msn: omcont@hotmail.com
bjos

Monsieur M. disse...

Oi!
Um dia, todos encontraremos nosso lar...
Mas, enqto isso, o melhor é ir andando por aí...
Abs!

FOXX disse...

vc falando do seu passado...
e eu me preparando para viver algo parecido no meu futuro


aproveita sampa por mim?

luma disse...

A liberdade é na verdade uma utopia, sempre estaremos presos a alguma coisa, até mesmo por opção.

Aquele dia em que "fui" mais feliz - frase da música da Adriana Calcanhoto, expressa bem que a felicidade sempre estará veiculada a falsa sensação de liberdade. Você se lembra do dia em que foi mais feliz? Foi o dia em que você se sentiu mais livre fazendo as coisas que gosta?

Tim, tenha uma ótima viagem e na volta tem dever de casa pra você. Olha - http://luzdeluma.blogspot.com/2007/12/leitura-de-mensagens.html - eu tardo mas não falho!!

Beijus, Luma

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