"... o sol ainda se fazia presente naquele fim de tarde, um certo tom vermelho-alaranjado com todas as suas nuances tomava conta do céu, enquanto o casarão era aberto. Quando finalmente chegou ao grande salão e abriu a grande porta envidraçada que dava para a sacada, uma fresca brisa tomou conta do ambiente, como se corresse e brincasse por toda a casa, balançando vigorosamente as belas cortinas. Atentamente percorreu a sala com os olhos, observava os móveis, os livros amealhados até aquele momento, recordou-se da aquisição de cada peça, até que seus olhos o encontraram. Apesar da penumbra que já se fazia presente, o velho piano ainda conservava o reluzente brilho de outrora.


Calmamente, caminhou em sua direção, sentiu o perfume da madeira...

Acomodou-se na cadeira e por instantes contemplou a beleza das teclas que subitamente pareciam maiores e mais alvas do que o de costume. Como quem toca o rosto de uma pessoa querida, suavemente, passou as mãos por cada uma das teclas. Posicionou-se, fechou os olhos, não soube precisar quanto tempo ficou assim, até que as primeiras notas começaram a inundar o ambiente, sentiu o peito aquecer de um maneira diferente, mesmo sozinho, parecia ouvir os acordes dos outros instrumentos.

E assim as notas foram surgindo, de olhos fechados deixou se levar enquanto Mozart ecoava pela casa vazia, com o tempo, cada nota tocada parecia a chave para uma lembrança, Por nenhum minuto abriu os olhos, mas viu um filme passar a sua frente, decepções, descobertas, desejo, os sonhos a que ainda se negava a abandonar. Tocou como nunca tinha feito, ao final, abriu os olhos lentamente, como se retornasse de um transe, percorreu mais uma vez a sala com os olhos, o som do velho piano ainda lhe era presente na memória. Apesar da lágrima que teimava em escorrer pela face, esboçou um enigmático sorriso.

Caminhou até a sacada a tempo de sentir os últimos raios do sol lhe banharem a face, e lá ficou a observar o belo jardim, nesse momento, o único barulho que havia naquele fim de tarde, era o de seus pensamentos, talvez lembranças, e foi assim, com eles, que ficou debruçado na bela sacada a esperar..."

7 comentários:

Ricardo disse...

Meu lindo... eu quase consegui ver um linda dama da época da escravidão nos EUA, tipo "E o Ventou Levou" !!!

Beijão!

Paulo Hasse disse...

melhores papos curtos

abração tin

Poison disse...

Devaneio geral.....

Hahahahahaha!!!!!

Mas tá valendo... sempre vale!!!

Legal nosso "fast-chat" hoje de manhã!!! E trate de agitar a tal da festa, okay??? Nada de ficar em casa chocando ovos!!!

Abraçãozão!!! Bom resto de semana!!!

Oz disse...

Vai haver festa? Onde, onde?..

hehehehehehehehehe

Às vezes, damos corda à imaginação e é deixar fluir. Um pouco de devaneio nunca fez mal a ninguém

Abração.

BlueBob disse...

Olá homem de lata!

Devaneios... Precisamos deles.


Bjos

luma disse...

Quem não tem lembranças, nunca viveu! Saber ouvir o silêncio também não é pra qualquer um! Bom feriado! Beijus

Adso Eco disse...

Rsrsrsrs
Respondendo, Latinha.
O outro amigo do post não era da "fraternidade", se é que podemos colocar desse modo.
Muito obrigado pelos elogios, e sempre que quiser, passe lá pra respirar...

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