A pequenina luz... que se apagou!

Normalmente dizemos que os "tempos modernos" têm influenciado a forma como vivemos, nos relacionamentos, alcançando todos os campos do nosso cotidiano, inclusive depois que já não mais estamos por aqui. Hoje, todos nós estamos de alguma forma nesse mundo virtual, seja por meio de redes sociais, aplicativos de relacionamento e comunicação, redes de trabalho, dentre inúmeras outras. E assim, surge uma nova questão, o que fazer com essa vida virtual quando aquela pessoa já não está mais entre nós? Alguns dizem que devemos deixar e de certa forma aquele perfil se tornará um memorial, mas há que defenda que aquilo acaba por trazer mais sofrimento para quem fica.

Confesso que não consigo ter uma opinião "lógica e racional" a respeito... Pensando nisso, fui atrás do perfil de uma pessoa conhecida, que faleceu de forma inesperada em um acidente de carro. Apesar dos quase 4 anos, os amigos ainda deixam mensagens, mandam "recados" e havia inúmeros depoimentos de familiares. Por outro lado, pouco mais de dois anos provavelmente, uma colega de trabalho perdeu a filha em consequência de uma cirurgia. Ela, a mãe, é uma pessoa muito lúcida, pesquisadora atuante e com uma formação sólida tanto moral quando em conhecimentos, chegou ao ponto de processar a empresa responsável por "aquela famosa rede social" para que o perfil da filha fosse devidamente apagado, já que seus inúmeros pedidos foram ignorados. Na época, isso chegou a figurar nos jornais, tendo sido objeto de uma matéria na televisão.

Essa questão acabou voltando a mim esses dias, como profissional de Tecnologia da Informação eu posso dizer que estou razoavelmente conectado, nessa brincadeira, o Skype é uma ferramenta de trabalho para mim e um dos meus contatos "favoritos" era justamente o meu amigo que faleceu no início desse ano... Durante todo esse tempo, ele ainda aparecia conectado, ironicamente "ausente", mas estava lá. Confesso que por diversas vezes me assustei ao "vê-lo" online lá, era uma sensação estranha me deparar com aquela "luzinha" a me olhar... mas o tempo foi passando e eu me acostumando com "a ideia".

Mas dia desses, eis que lá estava eu em uma call, quando me dou conta que a luz do avatar dele havia se apagado, offline. Imagino que durante esse tempo algum dispositivo dele ainda estivesse conectado e por isso a luz ainda permanecia lá, confesso que foi um pouco triste, terminei a call e fiquei encarando a tela sem saber ao certo o que fazer.

Na verdade não tem muito o que se fazer, mas confesso que ainda estou olhando aquela luz, agora apagada e não sei exatamente o que sinto, talvez seja como perdê-lo novamente... sei lá... Não foi difícil entender a atitude aparentemente extremada da minha colega, ele não tinha perfil nessa rede, mas tinha na rede de fotos, que nas primeiras semanas eu ainda a visitava, revi fotos, relembrei histórias, acho que foi minha forma de dizer um até breve na época. Me dei conta então que já tem um tempo que não vou por lá... mas imagino que aquele perfil ainda esteja lá...

...

Enfim, mais uma questão da modernidade para lidarmos...


(Luz Negra - Cazuza)

4 comentários:

Paulo Roberto Figueiredo Braccini . Bratz disse...

Não precipite nos julgamentos. Muitas coisas dão erradas neste mundo eletrônico. Existem outras formas de contato. Busque e esclareça para não ficar agoniado.

Beijão

No Limite do Oceano disse...

Latinha não sei bem onde li uma coisa que era +- o futuro do facebook, que daqui a muitos anos vai estar cheio de pessoas mortas, o que é uma grande verdade.

O teu texto fez-me pensar, é que o virtual acaba por ser uma realidade dos dias de hoje e a tal luzinha é uma forma de "vida" se bem que eu pessoalmente tento evitar ficar "ligado" ao virtual, se por um lado é perda de tempo, por outro uma forma de criar laços.

Marcos Campos disse...

É, tem isso ! Nesse mês mesmo, o FB me avisou do aniversário de um super amigo que morreu de forma inesperada, há dois anos atrás, o perfil dele ainda está lá, e na data do aniversário, vários ainda colocaram comentários em sua página ... não sei também o que pensar, em deixar uma mensagem virtual pra quem não está mais aqui, mas enfim, cada um lida à sua maneira ...

Abraço !

Mark disse...

O Limite referiu algo muito pertinente. O facebook tornar-se-á um cemitério online.

Bom, eu sei que há uma opção qualquer de deixar disposto o que se pretende que suceda ao perfil. Ainda não atentei nisso. Entretanto, tenho um amigo que já faleceu e cujo perfil se transformou num memorial. Às vezes passo por lá. Perturba-me ler: "Em memória de (...)", mas, enfim, morrer faz parte da vida, já dizia o velho cliché.

Um abraço grande.

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