Ao vencedor...

"Aquela fora a segunda vez que se pegava contemplando aquela tela em branco, enquanto o cursor ansiosamente esperava pelas palavras que nunca vinham, foi difícil não se lembrar que outrora elas haviam sido abundantes entre eles, cuidadosamente escolhidas e alinhadas, como quem cifra uma mensagem que somente olhos atentos poderiam posteriormente entender. Essa fora a característica que os aproximou, o doce jogo de sedução das palavras não ditas, em que ambos habilmente sempre praticaram tão bem.

Teriam as palavras entre eles chegado a um final?! Ainda que fosse prematuro prematuro dizer algo, era sabido e esperado que esse momento um dia chegaria, até tardou, muitos diriam. A maior ironia foi ter sido junto com a chegada do inverno, já que tantas vezes foram as palavras que o aqueceu em muitos dias frios. 

Apesar do temor que intimamente sempre sentiu desse dia, hoje, calmamente se permitia  contemplar o branco daquela tela, com quem tentasse decifrar um enigma que só ele era capaz de visualizar..."

-- x --

Esse texto tava no "limbo", e em um desses dias frios, a impossibilidade de colocar o nariz para fora de casa me permitiu reencontrá-lo, e vamos deixá-lo ir... ;-)

Enquanto isso, no meio tempo, eu tive a oportunidade de por em prática um dos meus ditos favoritos: "Um dia a gente ganha, no outro a gente deixa o outro achar que ganhou!". Acho interessante esses jogos sociais, como eu costumo chamar, mais que isso, [para mim] é muito estranho ver como as pessoas brigam por migalhas.

Engraçado, é que de longe é que podemos perceber que quanto mais se aperta a mão na tentativa de se agarrar em algo, mais ele nos escapa por entre os dedos. De qualquer forma, fico feliz por ter conseguido, aparentemente, ter revertido uma situação que não era exatamente desfavorável, mas era desgastante para mim.

E no mais, é curtir meu dia de "velho" e ir tomar um sol na pracinha, depois de longos dias de frio, chuva e neblina. Ah! Como eu sinto falta do sol!!!

Inté!


A consciência de uma planta no meio do inverno 
não está voltada para o verão que passou, mas para a primavera que irá chegar.
A planta não pensa nos dias que já foram, mas nos dias que virão.
Se as plantas estão certas de que a primavera virá, por que nós - os humanos
não acreditamos que um dia seremos capazes de
atingir tudo o que queríamos?
(KALIL GIBRAN)

13 comentários:

Raphael Martins disse...

Sempre sábio, meu amigo. Saudade das nossas conversas. Bom fds.

Mabe disse...

Vá tomar seu sol....eu vou tomar o meu.

E é bem por ai....vamos deixar achar que os outros estão ganhando....e concordo que é deplorável ver como alguns se digladiam por migalhas....mas ao mesmo tempo é divertido ver...kkkkk.

Abraços.

Caio disse...

Eu só queria dizer que gostei do texto.

Li e de repente lembrei de uma pessoa que há muito tempo eu amei. Quando foi que nós nos perdemos um do outro? Deve ter tido algum momento da história que era o ponto de retorno, a última hora pra reparar algum erro. Mas ninguém previu isso e depois também não tinha mais volta. A tela ficou em branco.

Eu não sei como foi a sua história, mas me fez lembrar de algumas coisas minhas antigas. Gostei.

FOXX disse...

queria um dia eu ganhar, mas tudo bem, estou acostumado com meu papel já.

Frederico disse...

ahahaha adorei esse dito, vou usar ele ;)

Ro Fers disse...

Dizem que a falta de sol nos deixam mal humorados... (Creio que não seja o seu caso), e não abaixe a cabeça para esse tipo de pessoas que brigam por migalhas.
Abraços!

Paulo Roberto Figueiredo Braccini . Bratz disse...

um texto forte e verdadeiro ... acho q todos deveriam tomar mais sol ...

Serginho Tavares disse...

the winner takes it all

Fred disse...

Esse "velho" sabe das coisas... só digo isso!!! Uma semana bem solar pra ti, Latinha! Hugzones!

Alex M. disse...

Felizes os que já conseguem achar estranho as pessoas brigarem por migalhas, quando na verdade nem precisam delas. Brigam pelo prazer de brigar, lutam por algo que não precisam, abrindo mão do muito que poderiam ter.
Esse muito é sempre imaterial. Tudo o mais se vai pelo vão dos dedos, como nossas cinzas um dia se irão pelos dedos de alguém que nos tenha sido caro...
Forte e lindo!
Nada melhor contra o mofo da alma do que o sol interior!
Bjos e bons "dias de velho". Adorei!

Alex M. disse...

P.S. Sobre viver em Brasília... Acho muito bom, embora não tenha termos de comparação. Adoro o céu, o espaço, a paisagem, as pessoas. Mesmo a seca aprendi a amar. Desgosta-me um pouco a distância de tudo, uma certa sensação de isolamento, sertão. Mas uma coisa realmente ruim é que em Brasília se perde a inocência. Não digo que essa perda não seja necessária, mas conviver num ambiente onde se cultiva largamente o desrespeito pelo resto do país, definitivamente, me incomoda. Mas fico me perguntando se minha Passárgada ainda existiria, e onde seria...
Paraíso, se existe, tem que estar dentro de cada um de nós!
Bjos

Fred disse...

Sim, Latinha... o Braccini super merece a 'menagem!!! Hugzão, querido mio!

Fred disse...

#benzdeus mesmo, nzé? deu até calor! hahahaha! hugzões e ótimo fds, mon ami!

Postar um comentário