Esmola

Acho que a palavra da semana é, esmola!

Hoje eu conversava com um amigo e ao comentar um determinado fato que se passou comigo essa semana ele disse que era "esmola". Pior de tudo que tenho que admitir que ele tinha razão! E a conversa segue, depois ao comentar algo dele, ouço/leio que quando a esmola é demais, o santo desconfia...

Pior que após muitas coisas pensantes na minha cabeça, eu fiquei pasmo em como aceitamos esmolas quando gostamos de alguém. Tudo bem vai, temos como álibi que estavamos investindo em um relacionamento, ou então que tinhamos sido seduzidos pelo falso brilho de uma paixão, mas isso não muda o fato de que não raro aceitamos bem menos do que merecemos. Acredito que as pessoas não fazem por maldade, também não deve ser fácil "ser gostado" e por mais honesto que a pessoa queira ser, provavelmente a vaidade (quem sabe o orgulho) sempre escorrega.

Contudo, qualquer que seja a explicação lógica e racional, cabe a nós determinamos até onde podemos ir e o que aceitamos (quem dera fosse fácil, não?!). E, assim, chegamos ao lance do "Eu te amo".... que não deixa de ser uma esmolona.

Se esse blogue existe, é por causa de uma pessoa... que lá atrás, em um tempo não muito distante, foi o objeto da minha afeição. Devo um bocado de coisas a Ele, bem verdade que eu paguei caro por elas, mas sei lá, nunca consegui ter raiva ou mágoa? Bom, apesar de achar um sentimento ruim, talvés esse post seja a prova viva de que por mais que eu fale que não fiquei magoado, eu fiquei sim. Enfim... vamos aos fatos.

A história toda eu contei lá trás (Adeus Amor Velho), mas acho que comentei pouco sobre o que veio depois... até porque não teve depois, ehehe. Mas enfim, a questão é, que a amizade ficou - talvez mais por insistência minha no começo, hoje acho que já equilibramos essa relação e ele já me vê como um amigo - antes, eu aceitava migalhas, na esperança que algo mágico que eu falasse ou fizesse muda-se algo entre nós. Final de Janeiro foi níver dele, recentemente ele passou por umas situações meio complicadas e que envolviam um namoro que ainda estava em estágio inicial. Para você ver como são as coisas... típico caso de aqui se faz, aqui se paga! ;-)

As coisas não iam bem e a tragédia já estava anunciada, por mais que ele se debatesse. Nesse meio tempo ele me ligou algumas vezes, choroso, fiz o que faria por qualquer amigo - ouvi e disse o que pensava. E no dia do aniversário, a coisa toda já havia afundado a alguns dias... durante a ligação de parabéns, ele vira e me fala (como tinha dito outras vezes recentemente), que só eu o entendia, que eu era uma pessoa especial e foi assim que eu ouvi o tão famoso "Eu te amo!".

Confesso que levei um choque, dei aquela engasgada básica... igual aos filmes... primeiro porque eu não esperava, para mim era mais fácil um raio cair aqui no quintal do que ouvir algo do gênero em plena noite de quarta-feira. Segundo,... bem, segundo por que eu não podia mais dizer o mesmo sobre ele. Pode parecer bobeira, coisa de "Alice Pollyana" mesmo - eu assumo, mas eu sempre fui cuidadoso com as palavras e não sei ser leviano com elas... com essa então, se eu disser... tem que ser para valer.

Achei legal os comentários que vi no bloguinho, eles me chamaram a atenção para algumas coisas que eu já tinha esquecido, ou deixado de lado. Realmente, é sempre muito bom ouvir "eu te amo!" - e para mim que ouvi poucas vezes então, tem outras cores. Só que infelizmetne, não é mais dele que eu espero essas palavras.

Eu sempre me senti de uma forma a respeito de relacionamentos e outro dia vendo uma palestra, a interlocutora (xique isso, né? interlocutora), falou que os relacionamentos se baseiam [entre outras coisas] na admiração. Se não houver admiração, muito provavelmente essa relação já acabou! E é isso o problema de tudo, durante muito tempo, eu era encantando por ele... e só ganhei esmolas. Hoje, ele já não é mais o Cara que me fez sair de casa, mesmo com o medo de acordar sem um dos rins [eheheheh]...

É uma pena, esperei tanto por isso... mas tudo passa! Hoje, olho e ele apenas me lembra alguém que conheci no passado e esse de hoje, é menor, não tem o mesmo brilho de outrora, me parece fraco, nada a ver com o Homem que eu via... justiça seja feita, ehehee, continua um belo pedaço de homem - mas que me lembra um alguém que a cada dia talvez só exista nas minhas fantasias.

Ufa! Falei um bocado, ne?! Isso que dá ficar sem sono, ehehehe
Espero que todos estejam bem... grande abraço!

Não se preocupe
com as coisas triviais,
Você faz da vida um inferno
quando se atormenta com
pequenas coisas.
Não se inquiete se sobrevieram
mudanças na temperatura, o
dinheiro ou o amigo
chegou atrasado, o trabalho
apareceu na hora inoportuna,
o ônibus já passou.
Encare-as com normalidade.
Mantenha-se em calma.
Não se alterar nas pequenas
coisas é se preparar para realizar
as grandes.

(DESCONHECIDO)



11 comentários:

Luifel disse...

Nussa, vou ser o primeirão a comentar sobre o assunto! :)

Falar sobre relacionamentos e a forma como a gte responde a eles é algo absolutamente complicado.

Um relacionamento, como diria uma pensadora q eu admiro "uma fusão de almas".

Infelizmente, a gente investe num relacionamento e necessariamente se fere, se cura, ama, perdoa, tudo faz parte do processo que é extremamente positivo.

O tempo passa, nosso coração tem tempos diferentes da nossa consciencia e as vezes pensamos q curamos uma ferida q qql brisa pode reabrir.

As pessoas um dia amam e no outro não amam mais, e necessariamente o nosso coração não acompanha o ritmo delas.

Amar-se talvez seja a chave pra resolvermos isso. E talvez aceitarmos que podemos cair, nos iludir e que, apesar de tudo, sempre tudo vale a pena - como diz Pessoa - se a alma não é pequena.

Amigo,talvez eu tenha falado um monte de besteiras, se eu o fiz, releve-as por favor!

Abção!

Edu e Mau disse...

Pois é, o importante é ter consciência de que se aceitamos a esmola é por nossa livre e espontânea vontade, né? Porque não adianta reclamar depois. E concordo com a tal inter-de-piracicaba: sem admiração, é só sexo pra lá de animal, hohoho...

Leo disse...

Ai Latinha... me identifico tanto com tudo!
Sou o mendigo-mor! Aquele que tá sempre implorando. E consequentemente mostra-se exaltado quando tão pouco é oferecido.
Fui ler seus posts sobre a pessoa. Apenas pra me sentir mais próximo de tudo o que você narra. Da excessiva racionalidade à descoberta que está deixando de viver por causa de conceitos incutidos pelos outros.
Também sou o amigo que dá conselhos. E também já ouvi "eu te amo"s vazios...
Não quero mais esse amor.
Procuro um amor que seja bom pra mim
Vou procurar, eu vou até o fim!

Grande abraço

Nyno disse...

Alguém chamou o mendigo? Então explicadíssimo, educativo e muito verdadeiro. Já criei esta expectativa. Nunca aconteceu, porém, a pessoa perdeu o brilho como você disse. Me libertei. Adorei o texto.

Mauri disse...

Ja ouvi "eu te amo" de amigos, mas nunca de namorados.

Ja aceitei esmola também... acho que faz parte de amadurecer a forma como vc vê e encara relacionamentos.

Voltou de vez ao blog?
Bjo amigo.

Leonardo Lessa disse...

Cara, gostei muito daqui. Ja recebi algumas esmolas.... e dei outras

Paulo disse...

É complicado falar sobre relacionamentos. Posso falar que não aceitaria esmolas, que tenho minha dignidade, etc, etc, etc, mas e na hora que a paixão bate pra valer?? Você esquece tudo, faz coisas que depois se arrepende amargamente... ou seja, vale tudo para ficar com aquela pessoa especial!

Se soubesse as coisas que eu já fiz por causa de um certo demônio na minha vida... quero morrer quando me lembro!!

E o pior de tudo? Se me apaixonasse por outro com a mesma intensidade, faria tudo novamente, sem pensar duas vezes!

FOXX disse...

pergunta

pergunta

meu sábio latinha:


e se a gente achar q merece mto e na verdade não merecer tanto assim?

du disse...

.muitas vezes aceitamos esmolas porque a vontade de acreditar que as coisas se acertarão mais cedo ou mais tarde é tão forte...

.não sei se isso é um excesso de otimismo ou perseverança, quem sabe medo de solidão, mas ultimamente vivo muito mais de esmolas do que de coisas inteiras, reais, maduras...

.é um mal procurando por cura que apesar de saber de todos os contras ainda vislumbra um bocado de prós....

.e por isso ...talvez um "eu te amo" seja perigoso. pq muitas vezes lucidez me falta...queria ter esta sua racionalidade....

.abraço.

.ps. e vamos nós. uma hora, a frase vem na hora certa ou com pouquíssimos minutos de atras....

Raphinha disse...

Achei muito sábia a observação de que um relacionamente se baseia *entre outras coisas* na adimiração.Namorei muito tempo com uma pessoa que pra mim era forte, e decidida. Acho que o que mais me fazia gostar dessa pessoa era o fato de querer ser parecido com ela.

Enfim, relacionamentos são tão complicados.

Grande abrço e cuide-se.

Uriel disse...

Acontece mesmo....

não tenho muita (nenhuma?) experiência em relacionamentos, mas desde q ouvi o famigerado "eu te amo", pelo telefone, 1 ano e meio atrás (eu até lembro aushuash) foi como uma droga. Desde então vivi procurando pela sensação novamente, e certamente percebo q na maioria das oportunidades (tdas?) eu agi como o mais mendigo dos mendigos :s

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