Envelhecer

Essa semana, ao ver uma foto no perfil de uma amiga, fui convidado a fazer uma viagem no tempo, viagem essa que me levaria à algumas reflexões que ocupariam boa parte dos dias seguintes. A foto na qual minha amiga fora marcada, era de uma equipe de trabalho em longínquo mil novecentos e poucos e, o que me chamou a atenção, foi que eu conhecia a maior parte daquelas pessoas naquela foto.


Poucos anos depois daquela foto ter sido tirada, eu me juntaria aquela equipe de trabalho, aquele foi meu segundo estágio e viria a ser um marco importante na minha formação profissional, eu saia de uma empresa pequena no interior de São Paulo e me tornava estag em um centro de pesquisa de uma empresa gigante. Muito do profissional que eu sou hoje, eu aprendi com aquelas pessoas, na primeira sala que eu ocupei, nasceu uma amizade que perdura até hoje – minha melhor amiga e “quase irmã”...

Eu não tenho mais contato com eles, longos anos se passaram, minha amiga foi sempre o “elo” entre aquela época e eu. Ao ver a foto, não resisti a tentação de fuçar um pouco e visitar os perfil dos meus antigos colegas, e eis que eu me deparo com a foto do meu supervisor. Me lembro dele, um cara alto, forte, já tinha pouco cabelo, mas tinha um porte atlético – me lembro que ele jogava vôlei, naquela época nunca me passou pela cabeça a idade que eles tinham, mas acredito que eles deviam já ter seus 30 e muitos pelo jeito.

Ao reconhecê-lo em uma foto, eu levei um susto, ele agora é um tiozinho! 
Magro, quase calvo, envelhecido... confesso que fiquei espantado e o mesmo aconteceria  com outras pessoas que fui reconhecendo, eles envelheceram!!!... Os que não ficaram grisalhos, ostentam mechas brancas pelos cabelos, os rostos ficaram marcados, os álbuns que outrora tinham fotos de viagens e aventuras, hoje são recheados com fotos da família, e quase todos com filhos que hoje poderiam ser "os meus supervisionados”...

Me dei conta que eu também envelheci..
Acho que foi a primeira vez que me vi seriamente confrontado com essas questões de envelhecimento, tirando, é claro,  o dia que eu devolvi a bola para o garoto no parque e ele gritou: “Valeu, Tio!”.

Falando sério... fiquei pensando no que eu já fiz da minha vida, acredito que eles podem se orgulhar de mim, se eu ainda não descobri como dominar o mundo, eu tenho orgulho de já ter trabalhado com pessoas bem legais, ter ajudado algumas outras e estar construindo uma carreira legal, que ainda pode me permitir fazer coisas interessantes.

Mas, e ai...?
Fiquei pensando no meu futuro “álbum” de tiozinho... 

Como será que ele vai ser? 


"O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais,
há em mim uma sede de infinito,
uma angústia constante que nem eu mesma compreendo.
Sou uma alma intensa, uma alma que não se sente bem onde está,
que tem saudade... Sei lá de que!"
(FLORBELA ESPANCA)

Julieta


Eu sempre fui coração mole com animais, principalmente com cachorros...

Crescido em São Paulo, em uma época onde ninguém, nem em sonhos, podia imaginar um cachorro vivendo em apartamento, eu sempre tive “o trauma” de não poder ter um bicho de estimação. Aliás, salvo as feiras de animais, bichos em São Paulo não eram lá muito comum, isso viria a render várias histórias e micos, como a vez que, em uma visita ao Simba Safári, ao avistar um Avestruz eu espantadíssimo gritei para minha mãe como aquela galinha era grande, ou ainda, quando meu avô me mostrou um carneiro e eu fiquei abismado como aquela taturana era peluda – Sim, sou/fui desses!

Mas cachorros sempre foram meu fraco, em particular, duas coisas ficaram registradas na minha memória, uma delas quando quase eu matei meus pais do coração [kkk], quando ainda na pré-escola eu me soltei da mão minha mãe, corri e enfiei a mão pela grade de uma casa, para alisar "O Grandão!!!" - ele era um Boxer dourado que malandramente adorava receber carinho das crianças que passavam para a escola, naqueles tempos ele realmente era Grandão para mim... só perdia para o Digby, O Maior Cão do Mundo [Caraca, tirei essa do fundo do baú].

A outra, foi em uma noite, voltando para casa com meus pais, um cachorro nos seguiu até a entrada do prédio... não preciso relatar o berreiro que foi, né? Eu teria que esperar até os 13/14 anos para ter um cachorro, lembro do dia que ele chegou... perto do Natal, meus  pais saíram e quando voltaram, minha mãe apresentou ele para nós... Um mestiço de boxer, 40 dias, cinza, filho de uma “dama da sociedade” com pedigree e tudo mais e do vira-lata mais vira-lata que tinha na cidade [hauhahuaa]. Ela havia escapado na época do cio e dai 60 dias depois já viu, apesar do toda a linhagem dela ter sido comprometida, ele foi a coisa mais fofa que eu já vi na vida... Apesar do seu porte aristocrático, tinha alma e orelhas de vira-lata! E roubava comida como ninguém! Ele ficaria com a gente por 15 anos e morreria de velhice!

Ao chegar por essas bandas, eu logo vi dois vira-latas que moram no terreno “da Firma”, o Romeu e sua "namorada/esposa", que só poderia ser a Julieta. Como eu estou novamente engaiolado em um apartamento, e com eles que mato a saudade dos meus dogs. Apesar de vira latas, eles são bem cuidados e não é difícil encontrar na sala das pessoas um saco de ração para alimentá-los.

Já pensei porque ninguém nunca os adotou, mas o tempo me mostrou que eles gostam daquele lugar... eles são livres lá, chega ser engraçado ver o Romeu acompanhar o vigia pela ronda, basta o vigia sair da guarita e lá está ele a postos! E, depois de algumas saliências alguns meses atrás, eis que Julieta estava “embarazada”.

Barrigudinha que só ela, eu imaginei que ela pudesse ter complicações no parto e estava meio de olho caso precisasse levá-la a uma clínica. E qual não foi minha surpresa ao chegar durante essa semana e encontrar uma mobilização na Firma, Julieta estava voltando de uma clínica, junto de seus 6 cachorrinhos – que dariam ótimas golas de casacos, como diria o Fred [kkk]. A encontraram “passando mal” e correram para uma clínica, como os cachorritos eram meio grandinhos, uma cesária foi necessário... 

O bacana de tudo isso é ver como as pessoas se rendem nesses momentos, no prédio onde é minha sala, há uma outra divisão e, apesar de dividirmos o corredor, há uma mulher que sempre me chamou a atenção. Até mesmo, porque ela nunca me cumprimentou [kkk], mas me surpreendi ao ver que a "líder" do movimento era ela, me parece que ela pagou a clínica, comprou os medicamentos e era a mais engajada em alimentar os filhotinhos - que tiveram que mamar na seringa nas primeiras vezes. No fim, estávamos todos lá, e Julieta ganhou caixa de papelão, alguém cedeu uma toalha para forrar, ração e tudo mais.

Confesso que fiquei me amarrando para ir embora nesses dias, quem iria tomar conta da Julieta e dos filhotes?! Por um momento quis levar todos para casa, mas novamente eu estou engaiolado em um apartamento... e então me lembrei do meu pai, , naquela noite meio fria de São Paulo alguns anos atrás, se desdobrando para tentar me explicar porque não podíamos ficar com o cachorrinho... o mundo e suas voltas!

Como não há expediente no sábado... hoje a tarde passei em um supermercado e lá fui eu para a Firma levar um lanchinho para a Julieta... 


Seu cachorrinho já lhe terá proporcionado muitas alegrias,
Cuide para que ele tenha um final de vida feliz.
Sempre que possível deixe que ele permaneça ao seu lado,
pois este será, realmente, um dos poucos prazeres que lhe restarão na velhice,
A grande despedida está próxima, e ele, por instinto sabe disto.
É natural que deseje então a companhia daquele que aprendeu a amar
e respeitar durante sua vida.
Não o abandone agora.
Ele já não será aquele animal bonito de antes.
Seu pelo começa a cair, seu caminhar perdeu a elegância e sua cabeça, penderá, 
cansada, sobre suas patas.
Somente seu olhar acompanhará os passos de seu dono.
Lembre-se que, dentro do peito, ele ainda possui aquele coração
que vibrará com o som da sua voz, do seu mestre.
E, chegando ao fim, não se envergonhe, chore,
Você acaba de perder o mais dedicado dos amigos... O Cão.
(A VELHICE DE UM CÃO)

On the Road

Não sei a razão, mas sempre perco o sono no domingo à noite... não importa a que horas eu tenha acordado, não importa o que tenha feito durante o dia, chega a noite e lá estou eu... sempre alerta! Não raro, desligo tudo e vou para a cama, fico vendo televisão até o sono chegar. Se eu abusar um pouquinho, é fácil virar a noite... sempre foi assim... o mais triste é acordar cedo na segundona! Sempre começo devendo sono!

E amanhã eu começo o dia na estrada, chegadas e partidas!
Eu e minha vida cigana... nessa brincadeira tenho acumulado alguns quilômetros nos últimos meses, as vezes algum colega aproveita a carona, mas na grande maioria das vezes foram voos solo! O que devo confessar que não é de todo ruim... é um tempo de  revistar alguns pensamentos e organizar algumas ideias.

Engraçado que ao retornar para minha casa, sempre me vem a mente o final de Six Feet Under... 



and here we go again...

"...What in this world keeps us from falling apart?
No matter where I go I hear the beating of our one heart
I think about you when the night is cold and dark
uh-huh yeah
No one can move me the way that you do
Nothing erase this feeling between me and you..."

Grande semana! Grande abraço...
Inté.

A vida sem cenouras

E lá se vai mais um dia 08 de Setembro... esse é um dia que acabou por se tornar um dia "meio" complicado para mim, na verdade, tenho certeza que ele irá sempre figurar na lista dos dias mais difíceis da minha vida. Impressiona a constatação de que toda a sua vida pode mudar em questão de poucos minutos, isso se ela não se encerrar...

Via de regra... isso é algo que eu evito falar sobre, prefiro deixar quieto, confesso que me incomoda um pouco, mas alguns poucos anos atrás, eu e minha família entramos para as estatísticas brasileiras ao sermos vítimas de dois homens, que armados, invadiram nossa casa em uma calma manhã do dia 08 de Setembro.

Eu não sei dizer o que é pior... é tudo ruim... Não posso dizer que tive medo por mim, mas tive medo por aqueles que amo. Para ser sincero, essa não foi a primeira vez que me vi sob a mira de uma arma, mas foi a primeira que violaram aquilo que nos é mais sagrado, a nossa casa. Mais do que os bens materiais que se foram, eles roubaram a nossa tranquilidade e a sensação de liberdade que temos ao adentrar nosso lar.

Mas... tudo passa... e se o tempo não cura tudo, ele pelo menos nos dá a oportunidade de ir colocando as coisas aos seus devidos lugares... E se já eramos unidos antes, o fatídico episódio só serviu para que reafirmássemos os laços que sempre nos uniram.

-- x -- 

No mais, um evento e um curso me trouxeram "para casa" na semana passada... mas segunda-feira é tempo de pegar a estrada novamente, playlist já recheada com The Killers e matutar sobre alguns projetos devem ocupar o tempo até chegar "en mi casita".

Esses dias por aqui, me permitiram rever algumas pessoas que eu gosto muito... e foi interessante ouvir de uma delas, uma observação interessante. Em geral, que me conhece no dia-a-dia, sabe que eu sou meio como um daqueles greyhounds, aqueles cachorros de corrida que saem correndo atrás de um coelho "falso" nas competições de corrida.

Como eu brinco... eu sempre precisei de uma cenoura (sem duplo sentido) para me inspirar e fazer perseguir algo, seja profissionalmente, seja pessoalmente. E essa amiga, observou que nos últimos tempos, todas as minhas "cenouras" se foram... e que com isso, tenho aprendido a me virar sem elas - segundo ela, tenho me saído bem, precisando apenas de alguns ajustes aqui outro acolá...


Estranho muito estranho, ... mas tem sido bom... muito bom!

No mais, fiquei com os cotovelos ardidos por ter perdido um café daqueles, onde tenho certeza que as risadas e os papos foram os mais agradáveis! ;-)

Enfim, um post só para marcar que estou vivo!
E que estou voltando para casa... ;-)




Eu sou essa pessoa a quem o vento chama,

a que não se recusa a esse final convite,
em máquinas de adeus, sem tentação de volta.
Todo horizonte é um vasto sopro de incerteza:
Eu sou essa pessoa a quem o vento leva:
já de horizontes libertada, mas sozinha.
Se a Beleza sonhada é maior que a vivente,
dizei-me: não quereis ou não sabeis ser sonho ?
Eu sou essa pessoa a quem o vento rasga.
Pelos mundos do vento em meus cílios guardadas
vão as medidas que separam os abraços.
Eu sou essa pessoa a quem o vento ensina:
- Agora és livre, se ainda recordas
(Cecília Meireles)

O Bonzinho

Eu sempre brinco que morro de medo da boca dos meus pais... eles tem "super poderes"!!!   

Por que você não leva guarda-chuva!? E cabrum...
Não vai levar blusa? E lá começa mais uma era glacial... #medo!!!

De qualquer forma, tem uma frase aqui em casa que me assombra até os dia de hoje... Desde quando eu era "menino pequeno lá em barbacena", eu sempre fui metido a seguir as regrinhas... enfim, eu sou um nerd chatinho desde fiote. Em compensação meu pai, foi uma daquelas crianças encapetadas que colecionou advertências em suas cadernetas escolares e cuja as histórias são lendárias - tais como as cicatrizes em suas pernas, ou seja, perto dele eu sou um "almofadinha". Smurf Gênio Rules!

Na adolescência as coisas ficaram mais turbulentas e entre uma ou outra palavra mais forte, eu ouvi várias vezes que eu queria ser "bonzinho" e que os bonzinhos só se f(@#&@*¨#!!! Que eu dia que aproveitar mais e ser moleque. 

Eu sempre quis tirar a cueca pela cabeça cada vez que ouvia isso... reza a lenda, que toda calúnia doí mais porque há nela um fundo de verdade. Eu já tentei ser mais cool ... mas minha versão "descolada" é tão interessante quanto ver um inglês sambando no carnaval.

Enfim... como estou fora da minha humilde residência, ontem tive a chance de ver outros canais "brasileiros" kkk, e eis que me deparo com a final d´A Fazenda... dentre os finalistas, um ator com fama de "bonzinho"...  Confesso que achei que ele fosse ganhar, além de não faltar predicados ao moço, ele sobreviveu ao "reality", sendo que enquanto o povo quase se matou pelo caminho, ele acabou sendo considerado "o bonzinho". Adivinha o que aconteceu o mocinho? Pois é, morreu na praia! (+1 x 0 para o Papito)

Acho que no fundo tenho um complexo de Dawson´s Creek... outro bonzinho clássico que acabou se f@(*#@98 no final da sua própria série! kkk

Enquanto isso, na sala de justiça...

Estou fora da minha humilde residência por uns dias... os 300Km até a casa do Papy e da Mamy, servem para colocar um pouco dos pensamentos em ordem e apesar da correria, já fiquei feliz de ter vindo... ontem a tarde tive a chance de sentar com uma grande amiga pra um daqueles papos em que a gente pode simplesmente falar abertamente de tudo.

Fora isso... ando pensando em um monte de coisas que quero fazer... preciso começar a focar, afinal... como diz minha mãe: Quem muito quer, nada tem! ; kkk

Inté...


Para atravessar Agosto é preciso, antes de tudo, paciência e fé.
Paciência para cruzar os dias sem se deixar esmagar por eles,
mesmo que nada aconteça de mau;
Fé para estar seguro, o tempo todo, que chegará setembro
e também certa não-fé, para não ligar a mínima
às negras lendas 
deste mês de cachorro louco.
(CAIO FERNANDO ABREU)

E lá se foi Agosto...

Mirror, mirror, on the wall

E se, você tivesse que aceitar que tudo o que você sempre pensou esteve errado?

E se, o Prince Charming não fosse exatamente o Príncipe, mas um simpático plebeu?! E se, ele não fosse o dono de um império e sim, mais um dos comandados do império de alguém? E se, ao invés das diversas línguas e conversas inteligentonas que você sempre imaginou, ele fosse mais do manejo bruto, do rústico?!

E se, eu aceitasse que se sempre estive equivocado e simplesmente deixasse a vida fluir, apenas seguindo o curso das coisas?

O que me levou a esse pensamento?! Foi a percepção de que eu também não me encaixaria no perfil do Encantado “típico”. É bem verdade que ao longo dos anos busquei dar uma polida “na lata”...  Isso não aconteceu por ninguém, fiz porque acreditava que esse era o caminho a ser seguido, que isso era o que todos faziam, por conta disso, me parecia natural a tendência de encontrar “outros”. Devo confessar que até os encontrei, mas, por diversas razões, não eram eles... nunca me esqueci de uma frase lida em alguma livro: “Quando os Deuses querem nos punir, eles atendem aos nossos pedidos”. Em alguns momentos, isso foi verdade no meu caso...

Hoje, me vejo obrigado a reconhecer que talvez, em algum ponto, eu tenha me perdido em meu mundo de números, fórmulas e regras. e agora, a opção de adaptar para viver me pareça mais interessante no momento... mesmo que perdido em meus próprios preconceitos, em alguns momentos interpretei que isso fosse uma “entrega de pontos”, ou então, um “rebaixar de padrões” como diriam alguns. 

Enquanto isso, na sala de justiça...

Eu vou me atropelando com aquela disciplina que eu me matriculei... e entre provas matemáticas, indução finita, recorrência e toda sorte de logaritmos e coisas "esquisitas" da matemática, a única certeza é que não é isso que eu quero fazer. Não vou abandonar o curso, vou até o final (#soudesses), uma estratégia meio Titanic... afundo, mas afundo com classe! ;-)

No mais... esperar a próxima semana, um projeto vai levar a ficar uns dias na Capitar... e para fechar esse post "reflexivo"... na melhor, que relembrar Eros e Psique de Fernando Pessoa


Inté

Uma Jornada!

Por conta do trabalho do meu pai, ao longo da minha vida eu me mudei várias vezes de cidade, por volta de 7 ou 8 vezes até eu me tornar um projeto de adolescente. Se por um lado isso foi bacana, pois me permitiu viver e ver muitas coisas, por outro teve um impacto negativo que eu só entenderia alguns anos depois, meus amigos! Por vezes me sinto como um John Doe, alguém sem um passado... apenas uma testemunha...

Um desses reflexos, é não ter tido aquele amigão de infância, com quem estudamos juntos, que se torna parceiro e cúmplice das descobertas de todo esse admirável mundo. Não sei se isso foi bom ou ruim, para ser sincero, confesso que nunca realmente senti falta desse amigão... Acabei desenvolvendo meu "Modo Autista" e me virando bem dentro dele, lógico que nem tudo foi tão legal assim, né? Mesmo depois de hominho feito, eu ainda tenho essa tendência de ficar tudo para mim.

Mas, foi nessa brincadeira que ele apareceu, e me espichou a mão! 
Afinal, foi Ele que escolheu ser meu amigo - segundo as palavras dele, Ele é desses!!!

E foi assim que eu descobri um parceirão, um amigo que poderia ter sido aquele amigo de infância, aquele com quem podemos falar abertamente, mesmo quando as coisas a serem ditas não são exatamente as mais legais. Em pouco tempo, nossos mundo se tornariam um só, meus amigos se tornaram amigos dele a família dele já se tornou um pouco minha também, a ponto de sempre partilhar as refeições com eles e ir junto ás festas e eventos!

Já li uma vez, que amigo é aquela pessoa que sabe tudo sobre você e mesmo assim escolhe permanecer ao teu lado [kkk]... é bem o caso... diz Ele, que quem escolheu ficar foi eu, então que agora aguentasse sem reclamar! Engraçado que ainda que sejamos muitos diferentes, ainda assim somos muito parecidos.

E, eis que esse amigo se propôs a uma grande jornada... na verdade, a vida lhe apresentou o desafio, e dentre as portas à frente, ainda que hesitante, ele aceitou abrir aquela menos óbvia, mas que com certeza vai transformá-lo em alguém ainda melhor. Como nem tudo é simples, justo nessa etapa, eu não pude estar presencialmente ao seu lado, era minha hora de também resolver algumas coisas na minha vida. 

Mas isso não impediu que estivéssemos sempre juntos, hora dando força, hora recebendo força... assim fomos construindo coisas, destruindo medos e barreiras. Eu nunca duvidei que ele chegaria do outro lado, mas a travessia era complicada e, por vezes, dura... é difícil se sentir impotente ao ver alguém que gostamos sentir o cansaço da batalha, mas também é muito bom e nos enche de orgulho ver alguém após colocar o joelho no chão, se levantar e se equilibrar novamente.

Essa semana, ele conclui a primeira parte dessa travessia... Ele chegou lá!!!
Mais que isso, Ele fez acontecer! Ainda que muitos desafios e angustias ainda estejam por vir - a gente sabe disso, Ele venceu o medo, a incerteza e, mesmo quando tudo parecia ser desfavorável, soube transformar em realidade o seu sonho.

Por essa razão... ainda que não possa estar fisicamente presente ao lado dele no dia da festa, Ele sabe que do lado de cá da ponte, eu estarei feliz e curtindo o sucesso dele, afinal, as vitórias de um amigo são as nossas vitórias, assim como os problemas são nossos também.

Sucesso meu amigo!
É  só o que posso te desejar neste momento, espero que ao celebrar essa primeira vitória de muitas outras que estão por vir, você possa encontrar forças e sabedoria para continuar lutando e escrevendo teu caminho. Só posso reafirmar a cada dia, a honra  de poder chamá-lo de amigo e tenha certeza que dentre teus amigos que irão celebrar tua vitória, em pensamento, minha taça estará erguida por ti junto a todos aqueles que irão brindar ao teu sucesso.


“Todo jardim começa com um sonho de amor.
Antes que qualquer árvore seja plantada ou qualquer
lago construído é preciso que as árvores e os lagos
tenham nascido dentro da alma.
Quem não tem jardins por dentro, não planta jardins
por fora, e nem passeia por eles.”
(RUBEM ALVES)

Gossip


Parem as prensas! kkk

Ainda na linha "amigos"... Eis que tempos atrás, em um passado não muito distante, eu apresentei dois colegas de trabalho, de fato, acabamos os três trabalhando juntos em alguns projetos. Eu conhecia Ele, Eu conhecia Ela, mas Ele e Ela não se conheciam. Ela trabalhara comigo a mais tempo, fora minha estagiária e depois me empenhei para que ela fosse contratada, os mais maldosos diriam que rolava algo entre nós, mas  na verdade era apenas afinidade! Ela é o tipo de pessoa muito competente e esforçada e, por mais que não fosse, brilhante na parte técnica, sua dedicação e senso de responsabilidade compensavam a falta de experiência, tanto é que eu sai da empresa e ela ficou e vem fazendo carreira! Eu tenho dedo bom! (para escolher colegas de trabalho! kkk)

Por sua vez, Ele apareceu mais tarde, na época em que ela já era contratada, trabalhou comigo por um ano... parceirão, fizemos algumas coisas bacanas e ele ficou muito empolgado, tendo inclusive viajado para apresentar os resultados do trabalho que havíamos feito. Ficamos bons colegas e conversávamos sempre, até temos uma cerveja que ficou pendente de sairmos para beber e até hoje!. Ele não é um tipo arrasa quarteirão, mas tem seu charme... 

Outro dia, foto vai e foto vem, olhando umas fotos do pessoal do antigo trabalho, vejo uma foto dos dois juntos em uma festa... tá, eu sei que as pessoas vão em festas, mas aquela seria uma festa onde a princípio eles não "deveriam estar juntos"... E hoje, eis que eu, por conta de um comentário, eu caio no perfil dele no CaraLivro (como diria o Edu), fotos de uma viagem que ele fez, com um grupo de amigos (neste caso, não amigos de trabalho) e quem está lá??? Gotcha!

Em várias fotos, nada muito comprometedor, mas aquele "famoso" abracinho de lado... Óbvio que fui fuçar no perfil dela, muito mais discreto, o único indício é o "In a relationship"... Os dois cachorros nunca me falaram nada, talvez por "vergonha mundana"... Mas acredito que principalmente por conta do trabalho, devem estar adotando um postura mais discreta, curto muito aqueles dois! E espero que realmente minhas suspeitas se confirme.. tanto Ela quanto Ele vão formar um casal bacana.

Sem eu falar que não sabia que tinha esse dom "matchmaker", pena que casa de ferreiro o espeto é de pau! Quem sabe um dia desses...

No mais, chega de fofoca, continuo perdido entre polinômios, produtos notáveis e tentativas de prova por Indução Finita... tão legal!!! ... 8-P

Agora, de volta a nossa programação normal, que sexta-feira eu vou pegar a estrada, sugestões de músicas para o playlist da viagem são bem vindas! ;-)

Se você não consegue entender o meu silêncio
de nada irá adiantar as palavras,
pois é no silêncio das minhas palavras
que estão todos os meus maiores sentimentos.
(OSCAR WILDE)

Amigos


Bom, na minha atual “humilde residência” eu não tenho televisão a cabo, assim, estou vivendo a base de televisão aberta, sendo que atualmente eu tenho apenas 5 canais “visíveis” (os outros é só chiado), são eles: a Globo, um canal evangélico, um canal católico e dois canais paraguaios que “invadiram” minha televisão - o que por vezes é mega divertido! [Kkk] 

Vale registrar que minha atual diversão é rever Passione e Ti Ti Ti con sotacón, e vale registrar que Ti Ti Ti aqui recebeu o nome de CuchicheosNessa brincadeira toda, eu também tenho acompanhado a trama de Avenida Brasil – que tem apresentado uma estrutura totalmente diferente daquelas normalmente vista nas novelas, em especial, me gusta  ver como se desenrola a trama que envolve o personagem Roni, “supostamente” apaixonado por um amigo. Enfim, culpemos a Globo por n mazelas nacionais, “erotização precoce das crianças” – como dizia um professor que tive, alienação e por ai vai... mas temos que reconhecer que os caras são inteligentes.

Gay ou não, o personagem tem caído no gosto da população, a personagem em si, foi construída na dúvida, ele não tem trejeitos, não é estiloso, não tem nenhuma profissão supostamente "afetada", joga futebol bem  e não tem nada diferente de qualquer pessoa. O princípio indício seria a preocupação com um amigo, que ele ajuda desde o início da novela... 

O que a princípio era tido como normal, durante boa parte da novela, agora começa a se revelar por meio de insinuações e piadinhas dos amigos, já que ele não era visto com mulheres e acabou casando com a gostosona do bairro – a princípio para salvá-la de uma deportação e em reconhecimento por ela tê-lo salvado em uma situação que passaram.

Mas me chamou a atenção o lance entre os dois... reza a lenda que ele vai ficar com outro personagem que já apareceu na trama, mas enquanto isso, eu me peguei a pensar em uns “amigos estranhos” que eu já tive... acredito que a maioria de nós já teve...

Esse em particular, eu conheci no trabalho, ele trabalhava na minha equipe... o cara era bom, em todas as acepções da palavra (cof cof cof), e tínhamos uma grande afinidade no trabalho, que acabou virando uma parceria para vários projetos e que se tornou em uma amizade fora da firma. Ele frequentava a minha casa, eu a casa dele, durante um bom tempo sempre podíamos ser vistos juntos... fugíamos para ir tomar lanche em uma padoca que eu adorava, tínhamos apelidos que só faziam sentido para nós, e ele vivia por perto. Não raro eu ficava trabalhando até mais tarde e quando assustava lá estava ele, me esperando.

Eu comecei a desconfiar dessa “amizade”, ele tinha uma namorada, que eu carinhosamente apelidei de Quirela [prefiro não comentar kkk], mas não estavam bem, brigavam, voltavam, brigavam de novo, e lá vinha ele chorar as pitangas comigo. Não foi uma nem duas vezes que nos encontramos durante a tarde para sentar e conversar... E convenhamos, se eu que sou mega lerdo, tava suspeitando de alguma coisa, a coisa era meio preocupante.

Mas, onde se ganha o pão não se come a carne, apesar dele depois ter ido trabalhar em outras equipes e não mais trabalhar comigo, eu fiquei na minha... eu soube que ele perguntou “sobre mim” para uma amiga em comum – tinha visto algumas pessoas no meu perfil em uma rede social e suspeitou. Ela foi evasiva e quando ela me contou, eu fiquei observando para ver a reação dele, e, para minha surpresa, ele continuou do mesmo tamanho... por perto. 

Enfim, tal qual o personagem que está em vias de se declarar ao amigo na novela - provavelmente nós já estivemos na mesma situação, mas eu nunca fiz nenhum movimento, ele também não... não sei porque, mas tenho sempre a sensação de que nessas situações, tudo se pode enquanto não se dá nome aos bois - uma vez colocada as cartas na mesa,  provavelmente seriam ouvidas coisas do tipo: “Você se enganou”, “Isso nunca me passou pela cabeça”, “Você entendeu errado”... aham s-e-i...

O tempo se encarregou de naturalmente nos afastar, na verdade ele sumiu depois de um tempo,  vez por outra ele aparece, dá um “Oi” e some, essa semana ele apareceu novamente, alguns SMS´s depois e ele já tinha desaparecido novamente.

Tem coisas que eu creio que nunca vou entender!

Assim, como não entendo o tal do crescimento assintótico das funções que estou vendo no curso que estou fazendo... mais isso eu conto outro dia... ;-)

No mais... que venha a semana nova e possamos fazer dela uma grande semana!

Inté!


"Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão... 
Que o amor existe, que vale a pena se doar às amizades, às pessoas, 
que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim... 
e que valeu a pena!!!"
(MÁRIO QUINTANA)

O Cavaleiro Andante


Não fosse por aquele encontro, aquela teria sido uma noite de domingo comum, como tantas outras que haviam se passado naqueles poucos meses, contudo, mal Ele sabia que aquela estava fadada a ficar marcada em sua memória. A conversa começara como tantas conversas começam, provavelmente sobre algum assunto tolo seguindo intercalada por  observações óbvias, não fosse o fato de quem em algum ponto, tudo mudaria.

E foi assim que as horas pareciam ter se transformado em minutos, as palavras cuidadosamente escolhidas, em conjunto com gestos comedidos, passaram a encantá-lo em determinado momentos, tornando-se ainda mais sedutores a cada nova descoberta, a cada nova peça que se revelava daquele quebra-cabeça. Com o caminhar das horas, nada mais parecia importar, o movimento aos poucos fora acalmando e a rua fora ficando silenciosa e tudo parecia conspirar para que aquela noite fosse apenas deles. E de certa forma, ela foi...

A madrugada se fazia alta, quando perderam a batalha para o tempo, cada um precisava voltar ao seu mundo... uma vez trocados os contatos, promessas de novas conversas foram feitas...  e, foi assim que Ele viu o Outro sumir entre a neblina da noite... 

Ao amanhecer, olhava pela janela, buscando alguma iluminação entre os raios de sol que entravam pela janela, tentava assimilar o que de fato acontecera. Ainda que não possa controlar o desenrolar dos fatos, guardou para a si a sensação de que coisas boas acontecem e que a vida as vezes nos surpreende.


Ando meio enrolado para escrever... Não sei o que é, mas é um tal de "escreve e apaga " tem tomado conta das minhas postagens nos últimos dias, Mas tudo caminha bem! Uma viagem para recarregar as baterias, me permitiu rever alguns amigos queridos e, agora,  alguns novos desafios pela frente tem ganhado espaço na pauta do dia.

Na falta do que fazer, resolvi cursar uma disciplina como aluno especial, como nada poder ser muito simples, a única disciplina que eu podia fazer é uma daquelas de arrancar pica-pau do toco! Mas é o que tem para hoje, eu iria dizer que esperava não me arrepender, mas levando-se em consideração que a primeira aula é amanhã, as 07h00 da manhã... eu posso afirmar que já me arrependi! ahuahuahuaa

Mas vamos lá, quem sabe dessa vez eu não descobro como dominar o mundo!!!

No mais... pensamentos soltos e curtir uns dias de temperatura mais amena...

Inté!

"Todos nós já estivemos nessas encruzilhadas.
Da noite para o dia é preciso recomeçar.
Mas de onde? com quem? 
É dificil esticar as assas,
quando se passou a vida toda 
na gaiola".


Mudanças

Voilá

Tinha um tempo que eu estava pensando que o bloguinho estava precisando de um tapa no "visú", nada muito radical... só um face lifting mesmo - até mesmo, até porque as mudanças mais radicais geralmente são silenciosas!!!

E cá estou... 2 dias de folga!
Aproveitei o tempinho e fugi do frio na fronteira, engraçado voltar "para casa"... aos poucos vou me perdendo, esquecendo... acho que estava precisando de um colo e recarregar as energias. 

No meio tempo... aproveitei o momento "pela estrada a fora" para tentar por ordem em algumas ideias, tudo certo, nada resolvido... ou seja, tudo normal! ;-)

Enfim... está alterado o layout do blogue.



A vida é uma sucessão de 
mudanças espontâneas e naturais.
Resistir a elas só serve para criar sofrimento.
Deixe a realidade ser a realidade.
Permita que os acontecimentos
sigam seu curso natural
conforme a própria vontande.
(LAO-TSÉ)

What If

A vida e suas lições...

Eu diria que existem algumas situações meio recorrentes na minha vida... já li uma vez, que a nossa vida seria como uma espiral ascendente e que determinadas situações são o "start" para essa mudança de nível. Ao entender sua lição, você evolui... e novos desafios lhe serão apresentados... Se ao contrário disso, você resistir à mudança, a entender sua lição, a vida segue, dará sua volta, até que novamente você se veja confrontado por aquela situação novamente.

As vezes me falta o sangue frio para o blefe, assim como o flerte, e o medo de perder o controle faz com que o desejo de tudo controlar me leve ao insucesso. Gostava ter um pouco da inconsequência dos irresponsáveis, que não se furtam a um "all in" e conseguem manter-se firmes não importa o resultado.

"What" and "If" are two word as non-threatening as word can be. But them together side-by-side and they have the power to haunt you for the rest of your life. What if?... What if? What if?  (Letters to Juliet)

"E" e "se" são duas palavras tão inofensivas quanto quanto qualquer palavra, mas coloque-as juntas, lado a lado, e elas tem o poer de assombrá-la pelo resto de sua vida. E se?... E se? E se?


-- x -- 

Então... apesar do tom sorumbático do texto, tá tudo bem! [kkk] 
Na verdade, eu resolvi "salvar do limbo" esse trecho de um post que eu havia começado a escrever e não havia terminado. Não sei bem porque me lembrei dele hoje, na dúvida, resolvi visitá-lo... 

Não entender ou não ter muito sentido, faz parte do jogo. Mas se ao terminar de ler você tiver a sensação de que entendeu tudo o que não tava escrito, talvez seja bom marcarmos um café com conversas!  ;-)

No mais, tempos de um ritmo diferente... Planejamentos, Preparativos, Pensamentos e pouca ação. Tudo muito cinza, tudo muito sério de repente... acho que isso é o que eu chamo de surto de realidade. Tenho isso as vezes, quando os níveis de Pollyana e Alice caem a níveis drásticos no meu sangue.

Mas acho que logo passa... no mais, preparar a mochila, porque vamos pegar a estrada essa semana! \o/

Até!

"O homem que me conhecer irá encontrar outro habitando meu coração.
Pois mate-o"
(ELISA LUCINDA)

O Peguete Imaginário


Hola Chicos

E cá estamos... Confesso que ando meio sem inspiração para escrever, na verdade, talvez até haja inspiração, mas não sei ao certo sobre o que escrever, assim vou tentar resumir os últimos dias apelando ao bom e velho “3 tempos”...

Tempo 1 – Trabalhar é preciso!
Ainda estou em adaptação, aos poucos vou descobrindo os atalhos, vou entendendo como as coisas funcionam e vou tentando achar um lugar para mim, ao mesmo tempo em que há muito a ser feito, tudo parece meio confuso... Mas, acredito que sobrevivi ao período crítico da mudança, agora tenho a chance de pegar as coisas do começo, acho que vai ser bacana - apesar que ainda há alguns desafios a serem vencidos.

A ideia de retomar o projeto do doutorado tem ganhado força, tal qual uma plantinha recém-germinada, tenho procurado cuidar dessa ideia, alguns dias guardo, outros ponho  ao sol para ganhar força... vamos ver... o desafio é se encontrar em uma confusão de linhas de pesquisa, projetos, regras e tudo mais.

Tempo 2 – Just for fun.
Está ai algo que eu sempre fui péssimo em balancear...  o problema é que como bom nerd, quando eu acho que quero me divertir eu pego algo para estudar! (#soudesses). Mas entre uma coisa e outra tenho procurado fazer coisas novas e diferentes.

E após um tempo sem poder viajar, a visita de um amigo, me motivou a atravessar a ponte e voltar à selva de pedra! Amigos são tudo de bom e, não há nada que eu goste mais do que um bom almoço com amigos. Ainda mais se esse almoço puder ser seguido por uma tarde de conversas e risadas e com bom café! Ainda que tenha sido uma viagem no melhor estilo "candidato", 2 cidades em 3 dias, eu não podia perder... com direito a participar da Festa do Divino em uma cidade do interior paulista, junto da família de um grande amigo.

Tempo 3 – Les amours imaginaires
Pois é... é o que tem para hoje! Meu tripé é sempre meio capenga, um dia eu chego lá... mas vida de forasteiro tem as suas peculiaridades... por ora, só me resta andar pelo mundo. Ando naquela fase em que até gostaria de encontrar alguém, mas como? Onde? 

Assim, só me resta “caminhar”...  ou, como ainda hoje brincava com um amigo pelo telefone, ficar com o meu peguete imaginário, quem sabe um hora dessas ele não faz como dos filmes do Woody Allen e se torna real!

E como Latinha também é cultura, de saideira eu vou deixar uma música típica do Paraguai, uma polca paraguaia! Essa em especial me é muito querida, na época em que meu avô era vivo, era uma das músicas que ele adorava colocar quando alguém fazia aniversário, logo de manhã cedo... Não é a versão mais bonita que eu já ouvi, mas dá para ter uma ideia.... espero que gostem! E como o titulo da música diz, Felicidad!





Inté!

A primeira ceroula...

A gente nunca esquece, principalmente do que nos motivou a ir procurá-las!!! kkk

Pois é, um efeito "colateral" da minha mudança é a necessidade de adaptar meu guarda-roupa a minha nova realidade climática. Desde então, vitima das famosas frentes frias vindas das bandas do Fred, neblina, chuva, frio, neblina-chuva-frio tudo junto, se tornaram uma constante na minha vida... assim como as temperaturas de um dígito também!

E assim, depois de passar uma semana com as pernas congelando, durante um inocente passeio em uma loja, eu encontro as famosas "ceroulas"... devidamente embaladas com a indicação "para mocinhos" e com uma estratégica abertura frontal, "coisa digna" diria uma querida amiga... e sem pestanejar, comprei...  Frio nas pernas, nunca mais!!!

Enfim... era isso ou a fuseau de lã que minha irmã aposentou alguns invernos para trás, em tempos de Rio+20, eu não pude deixar de pensar: "Cade a porra do aquecimento global quando a gente precisa dele?!".

Agora, devidamente aquecido e confortável... é só rezar para não ser atropelado ou ter um mal súbito pela rua, porque se não... na hora que tirarem a roupa no hospital... kkk (Também espero encontrar o "Príncipe Encantado" em um dia de sol, do contrário... tá puxado!)

Enquanto isso, no meio tempo, começando a colocar uns planos profissionais em dia... passada a novidade, a adaptação entra em uma nova fase e, assim vou tentando colocar a vida em dia e achar um espaço. 

Pessoalmente, tive a chance de reavaliar algumas histórias, fiquei feliz com a sensação de que finalmente algumas coisas começam a ser superadas. A vida segue seu curso e que, com paciência, começo a caminhar sem olhar [tanto] para trás... ainda não me acostumei com a ideia de que às vezes, mesmo oferecendo o nosso melhor, não será o suficiente para conquistarmos algo que desejamos - ou alguém! ;-)

Mas já aceitei... que, muitas vezes, isso é realmente o melhor que poderia nos acontecer!

E, na saideira, vale dizer que não! Não estou apaixonado [ainda]... Até gostaria de dizer o contrário, mas a Primavera que comentava no post passado, diz respeito a uma sensação que tem me acompanhado nesses últimos dias... É uma sensação "esquisotérica", que não saberia definir, mas que traz consigo uma esperança e um bem estar que me tem feito bem...

Hasta luego!

"Quero ser o teu amor amigo. Nem demais e nem de menos.
Nem tão longe e nem tão perto.
Na medida mais precisa que eu puder.
Mas amar-te sem medida e ficar na tua vida.
Da maneira mais discreta que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade, sem jamais te sufocar.
Sem forçar tua vontade.
Sem falar, quando for hora de calar.
E sem calar, quando for hora de falar
Nem ausente, nem presente por demais.
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.
É bonito ser amigo, mas confesso é tão difícil aprender!
E por isso eu te suplico paciência.
Vou encher este teu rosto de lembranças.
Dá-me tempo, de acertar nossas distâncias..."
(FERNANDO PESSOA)

Primavera

Dia desses eu estava olhando a vida passar... e me peguei saudoso de situações que normalmente não fazem parte do meu dia-a-dia, talvez seja a água do lugar - estou pensando em analisar, talvez seja algo hormonal, talvez seja só a vida seguido seu rumo... [Corta]

Outro dia desses, eu caminhando pelo centro da cidade, resolvo parar em uma livraria para ver as revistas novas, e há uma especial que desde a primeira vez que vi me chama atenção pelos temas que são abordados e, principalmente, pela forma como são abordados... a capa do mês passado, trazia em destaque... A FILA ANDA!!!
[Corta2]

Agora junta tudo... 

Quem diria que a fala anda mesmo... até eu, um dos mais céticos dessa coisa "esquisita" chamada amor, tenho que concordar que a fila anda. As vezes demora, as vezes tentamos nos apegar, mas fatalmente um dia aquele entorpecimento passa e nos vemos diante de novas situações, novos cenários e cores. Tudo parece mais simples...

E assim, Eu, que um dia achei que não tinha um coração e precisei sair e busca de um mágico que me desse um coração, talvez esteja descobrindo, quem sabe até pela primeira vez o gosto da Primavera.

Como eu sempre fui do contra e minhas coisas tem um tempo próprio, pelo menos, em minha defesa, posso dizer que ainda é Primavera no hemisfério norte... terminando, mas é...  ;-)

De qualquer forma, quero para mim o espírito da estação e as possibilidades que ela trás...

--x--

Pensamentos soltos de uma sexta-feira a tarde em que você já poderia ter ido embora, mas ainda fica em sua mesa, "vendo a vida passar"...  ;-)

Hasta luego!



"Estou sentindo o martírio de uma importuna sensualidade.
De madrugada acordo cheio de frutos.
Quem virá colher os frutos de minha vida?"
Senão tu e eu mesma?
Por que é que as coisas um instante antes de acontecerem
 parecem já ter acontecido?
é uma questão de simultaneidade do tempo.
E eis que te faço perguntas e muitas estas serão.
Porque sou uma pergunta.
(CLARICE LISPECTOR, in Água Viva - fragmentos)






Envy (da série: Pecados Capitais)


Durante muitos anos eu fui adepto do discurso de que o Dia dos Namorados era apenas uma invenção dos países capitalistas para fazer com que as pessoas comprem mais e movimentem a roda que gira o mundo, la plata! Mas devo confessar que os últimos anos foram decisivos para que eu pagasse minha língua e que hoje estivesse aqui com uma pitada de dor de cotovelo.

Posso dizer que me apaixonei algumas vezes, olhando para trás, reconheço que me apaixonei mais vezes do que acreditava, também já consigo entender que muitas dessas vezes, o medo, a insegurança e alguns outros fatores me levaram a recuar e a manter as coisas no campo do platônico. O que por vezes era muito bom, porque me permitia viver essa paixão da forma que eu queria e como eu julgava melhor para mim.

Hoje sei também que não estava pronto... havia medo e insegurança sim, contudo, mas que isso, faltava maturidade para encarar e lidar com determinadas questões que exigiam atenção.

Até que, algumas pessoas chave apareceram em minha vida, algumas eu já citei aqui no bloguinho e outras, que ainda não tive coragem de citar e, que assim, ainda permanecem apenas minhas. Para ser sincero, aprendi muito pouco com essas pessoas, mas elas me deram o essencial, coragem!

Coragem para ir atrás de algo incerto, daquilo que muitas vezes a razão e a lógica nos aconselham a não devemos fazer.  Também devo a elas, descobrir que uma ligação não é apenas uma ligação - quando alguém que nos é importante está do outro lado. Devo a elas, desenvolver a habilidade de reconhecer uma pessoa ao visitar um lugar ou ver um determinado objeto. Por fim, apesar de tudo, foi com elas que entendi o sentimento de que apesar da estrada e as escolhas serem minhas, eu não quero mais caminhar sozinho por elas.

Engraçado que o tempo também me trouxe a sabedoria para entender o que eu quero de um relacionamento, por ironia, não foi com elas que aprendi o que, ou a forma que gostaria de viver em um relacionamento. De qualquer forma, esse será mais um dia dos namorados sozinho... ou melhor, comigo mesmo

Hoje saímos para almoçar em um grupo, diversos amigos, alguns já casados, outros noivos e os avulsos – entre nós, um amigo trouxe outro amigo que veio visitar a cidade.  Algo me chamou a atenção naqueles dois, os gestos contidos, as risadas, as palavras não ditas, enfim... não sei se minhas suspeitas procedem, mas se uma das definições de inveja é desejar o que não se tem, eu hoje senti inveja...

Não sei se foi branca, preta, de bolinhas ou lisa, mas deitado em minha cama, não pude deixar de lembrar o quanto foi bom, um dia, poder ficar deitado quieto... a ouvir a respiração do outro, enquanto pensamentos vão e voltam... Enfim, quem sabe no ano que vem... ;-)

Newland Archer: You gave my first glimpse of a real life.
Then you asked me to go on with the false one. No one can endure that.
Hellen Olenska: I´m eduring it.
(dialógo do livro The Age of Innocence, Edith Wharton)



Hasta Luego!