Bom, eu estou de castigo por um tempo em casa por um tempo, e durante o final de semana, recebi o convite de uma amiga para que caso eu já pudesse sair, para visitá-la, uma paciente havia desmarcado e poderíamos conversar. Então, no dia combinado, lá fui eu... passei na minha padoca de eleição e fiz questão de comprar algumas coisas para animar a tarde. Na horário combinado, lá estava eu...
Foi um tarde muito boa, ela é aquela pessoa com quem podemos conversar abertamente, que nos faz bem conversar e desde minha mudança foram poucas as chances de uma "consulta" para mim... Como brincou um amigo, falei até dar caimbra na língua [kkk]. E foi nessas conversas, que acabei revisitando alguns pontos do meu passado, na verdade conversávamos, sobre o tempo das coisas e a dificuldade de ser um adolescente "passado".
Quando eu era criança, em Santo André mesmo (não em Barbacena), lembro que um dia um amigo da turma, não pode sair para brincar porque estava com caxumba, daquele dia em diante, bastava contar o tempo de incubação e todos os outros garotos foram "caindo"... na minha casa não foi diferente! Lembro de não poder sair da cama, tudo com muito cuidado! Mas eis que meu pai começa a reclamar de um pêlo engravado, minha mãe, de sombracelhas erguidas, decretou o veredito. Caxumba!
Meu pai fez graça, chamou-a de Maria Caxumba, e que tudo para ela era Caxumba! Lembro que ele foi jogar bola com os amigos, tomou sereno, tomou cerveja, enfim... se jogou!!! No outro dia, "o pêlo" havia inchado... de tal maneira que na primeira colherada de sopa, ele colocou as mãos na cabeça e saiu correndo de dor. Anos mais tarde, brincaríamos que a Caxumba "não desceu", porque não passou pelo pescoço... a coisa foi tão séria, que o médico não diagnosticou Caxumba, deixou em observação com receio que pudesse se tratar de algum tipo de abcesso. Meu pai perdeu a mãe muito cedo, ainda criança, e naquela época meu avô também já tinha falecido... e ninguém suspeitava que um burro velho não tinha tido caxumba quando era criança!.
Enfim, há coisas que são para ser vividas em determinadas épocas... conversando com ela, eu vi que na tentativa de fazer as coisas certas, mexi com a ordem de algumas coisas na minha vida... e assim como a ocorrência de uma doença infantil em um adulto, hoje eu tenho que descobrir coisas que supostamente já devia saber como lidar.
Por outro lado, fico pensando que foi justamente esse caminho, levemente tortuoso, que me tornou a pessoa que sou hoje. Será que se eu tivesse feito o dever de casa, eu seria diferente, ou estaria em algum "universo paralelo"?! Boa pergunta... mas não sei se as respostas me interessam, porque ao olhar ao meu lado, e ao meu redor, e ver todas as pessoas que me cercam... eu fico muito feliz por ter chegado até aqui...
E lá se foram os meus pontos... nem doeu! Confesso que estava, um tanto quanto cagado, oops, quero dizer apreensivo! Mas nem senti nada... cicatrização ocorreu de forma bacana e felizmente estamos indo bem. Hoje faz 15 dias que eu operei, estou aprendendo a entender os sinais que meu corpo tem dado, estou me acostumando a ideia de que agora sou uma pessoa que toma remédio para o resto da vida, mais que isso... tenho procurando entender o significado de todo esse "sacode" na minha vida...
Até por isso, ainda preciso escrever alguns emails de agradecimento... me assusto como as vezes podemos ser capazes de entrar em uma discussão ferrenha, mas como é difícil parar, olhar para quem nos é importante e dizer um agradecimento de coração... seja por timidez, seja por vergonha mundana, sei lá... mas acho que agora já dou conta!
No meio tempo... eu fico por aqui, dançando com meus pensamentos!!! ;-)
Não importa ao tempo o minuto que passa, mas o minuto que vem
(MACHADO DE ASSIS)