Já que a inspiração não anda das melhores, eu resgatar uma postagem que estava condenada ao limbo e que hoje eu encontrei novamente no meus arquivos... apesar da condenação, ela é recente... eu escrevi alguns meses atrás... mas precisamente na véspera do meu aniversário. Lá vai... senta que lá vem história...
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Amanhã, é meu aniversário...
Lembro do primeiro aniversário que passei longe de casa, por
ironia do destino foi em uma viagem para São Paulo, acordei de manhãzinha,
“anônimo” em um ônibus, quase chegando na capital paulista. Mal humorado,
provei do gosto da invisibilidade naquele dia... afinal, ninguém conhecia ou se
importava, mais que isso, pela primeira vez em longos anos uma tradição de
família se quebrava.
Na minha casa, no dia dos aniversários, todos acordamos
cedinho, supostamente mais cedo que o aniversariante e, ainda com os olhos meio
fechados, corremos para pegar os presentes para então acordar o “dono do dia”...
Minha mãe geralmente lidera “o grupo”, cantando baixando o Parabéns para
você, e assim, o felizardo ainda na cama ganha abraços, beijos e presentes!!!.
Obviamente o aniversariante, que já estava acordado, sempre acorda surpreso com
tal “surpresa”, mas foi assim que vi passar meus aniversários.
Mas um dia a gente cresce, né?!
Amanhã não vou acordar em casa, pela primeira vez,
acordarei na minha casa!
Que não é bem minha ainda, é só um ensaio, uma
primeira experiência... assim, é provável que ao invés dos abraços, eu ouça o famoso parabéns pelo telefone, que já está estrategicamente colocado do lado da cama.
E lá se vão alguns anos... dos planos originais, algumas
coisas deram certo, outras eu tive que adaptar, mas creio que poucas deram errado... Gosto de pensar que soube aproveitar os anos,
tudo bem que com a minha idade, Cristo já tinha sido crucificado – mas minhas
pretensões sempre foram bem mais modestas.
De qualquer forma, pessoas se casaram, se separam, nos
deixaram, meu próprio pai já tinha uma família com a minha idade, e eu já era um simpático garotinho
de cabelos negros e fartos...
Ainda que os cabelos continuem
negros e fartos, já tem algum tempo que eu deixei de ser um garotinho... Os anos vieram e com
eles, chegaram novas lentes, que foram me mostrando detalhes que antes passavam
desapercebidos... Foi assim que meus pais deixaram de se parecer com aqueles super-heróis invencíveis e, de repente, a cada dia vejo-os com cabelos mais brancos e com passos mais lentos... Também vi algumas pessoas queridas, aos poucos irem se perdendo nas
lembranças, já tive de dar aquele terrível "até breve" para algumas pessoas e de
repente, surge a consciência de que tudo um dia finda.
Mais que tudo amanhã é um dia de agradecer... por anos tão
bons, por tudo o que eu já tive chance de viver e até o que não vivi, porque
sei que poderei ainda tentar vive-los...
[Interrompido...]
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Pois é, só para registro... foi um dia muito bom!!!
E confesso que tem horas que me pego pensando nessa questão do envelhecer, não tenho medo do envelhecer, mas as vezes me pego pensado em como isso vai se dar... sei lá! kkk
Enfim.. a vida segue... e lá vou eu trabalhando, trabalhado...
Como fazia um tempo que eu não postava, esse foi um post para tirar a cisma!
Espero que todos estejam bem.. Abração!
Passem-se dias, horas, meses, anos
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida
Entre compensações e desenganos.
Faça-se a carne mais envilecida
Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida.
Queira-se antes ventura que aventura
À medida que a têmpora embranquece
E fica tenra a fibra que era dura.
E eu te direi: amiga minha, esquece...
Que grande é este amor meu de criatura
Que vê envelhecer e não envelhece.
(SONETO DE ANIVERSÁRIO, Vinicius de Moraes, 1942)