Chuva

Sexta-feira, pela janela se ouve apenas o barulho da chuva mansa lá fora... aqui dentro, só  a preguiça e o silêncio barulhento dos pensamentos...


"...Há gente que fica na história
da história da gente
e outras de quem nem o nome
lembramos ouvir

São emoções que dão vida
à saudade que trago
Aquelas que tive contigo
e acabei por perder

Há dias que marcam a alma
e a vida da gente
e aquele em que tu me deixaste
não posso esquecer..."
(CHUVA, Mariza)

Inté!

Cold War

Para mim, pior do que ser sacaneado, é ter que aguentar a cara de c* com câimbra dos meus supostos amigos de trabalho. Eu estou fazendo uma linha blazé, não sei, não vi, nunca me falaram nada. Mas eis que fica todo mundo esperado para ver se eu vou sacar o sabre laser e arrancar a cabeça de todo mundo ou, se vou chutar o penico no ventilador, nem uma coisa nem outra! 

De qualquer forma, o ponto alto foi chegar na quinta feira para viajar, 01h00 da madruga, e dar de cara com um dos meus "amigos" na Rodoviária. Ele tinha dado carona para outros colegas que estavam indo viajar também, quase que ele se atira embaixo do ônibus sem saber o que falar comigo... O duro é que agora estamos na seguinte situação, como a Chefe partiu de vez, eu estou interino na função até que saia a nomeação do meu suposto amigo, ou seja... vai faltar ovo para a gente pisar em cima.

Mudando de pato para ganso... o feriado serviu para baixar a fervura das coisas, pude ir para casa, foram dias muito bons! Como já dizia Dorothy, não há lugar como nosso lar...

E fuçando no "cara livro" eis que começo a encontrar algumas caras do passado... em especial, lá dos meus 13 anos, quando deixei Santo André para morar no interior de São Paulo. Eu sempre acho estranho, as pessoas dizem que eu não mudei nada, quem me reencontra, não importa o tempo que tenha passado, olha e no ato diz quem eu era... mas para mim as outras pessoas sempre mudaram, e muito! kkk

De todos os amigos, um em especial me chamou a atenção... e eu tinha muita curiosidade em revê-lo, filho de um amigão do meu pai, ele também se tornaria um amigão meu... e com ele eu faria algumas descobertas interessantes [cof cof cof].

Ele era um garoto bonito, pele cara, cabelos lisos em um tom castanho mais puxado para o claro, em nossas bicicletas, não havia o que impedisse nossas aventuras. Naquela época, eu  também estava conhecendo aquela que teria o título de minha primeira namorada, era uma época agitada! Mas, não me lembro dele com meninas... até que ao fim de um período, eu tive que mudar novamente... e lá atrás, ficou ele, ela, e praticamente um mundo perdido.

Eu cheguei a procurá-lo uma vez, quando, já um pouco maior, voltei a cidade para visitar amigos, soube então que o pai dele havia vendido a fazenda e ido para outra cidade. Dela, eu viria a ter notícias alguns anos depois, a reconheceria nas fotos do casamento de uma outra amiga, ela ao contrário dele, não mudou nada... ficou até mais bonita eu diria. 

E, de repente, lá estava ele... não o reconheci de primeiro... foi o nome que ajudou, os cabelos já não são mais lisos e fartos como antigamente, e apesar de ainda reconhecer os traços do garoto que era meu amigo, ele não se parece mais um garoto. Em seu colo, em um belo cavalo, estava um pequeno garoto, que penso ser seu filho... o tempo passou!

Pensei em mandar uma mensagem, será que ele se lembraria de mim?! De qualquer forma, acabei desistindo, quem sabe qualquer hora dessas, mas foi bacana revisitar um passado distante. Tive saudades de sair por ai de bicicleta, a minha era igual a essa da foto... e com ela, parecia que eu poderia dominar o mundo, fora tantos cavalos de pau, tantos saltos e aventuras...

Vez por outra é bom revisitar o passado! 


“O silêncio responde até mesmo aquilo que não foi perguntado.” 
(CAIO FERNANDO ABREU)

Paola Bracho

Ainda que minha boa fé tenha sido severamente abalada nos últimos anos, eu confesso que já tinha me esquecido das artimanhas do mundo corporativo, e foi assim, que nesses últimos dias eu levei uma bela puxada de tapete, daquelas com roteiro mexicano no melhor estilo Paola Bracho de ser. 

Tudo por conta de um pseudo cargo que eu deveria assumir, nada muito pomposo, mas como uma atual detentora do cargo está se transferindo e alguém precisava ser "eleito". Eu entrei na história, porque além de ser da equipe e ter as qualificações técnicas, eu era o único que topava a empreitada - inclusive porque eu já exerci essa função onde trabalhava.

Tudo certo? Errado! Enquanto eu ia me inteirando da rotina e dos procedimentos, resolvendo inclusive alguns pepinos pelo meio do caminho, o Big Boss (atual Darth Vader) arrumava um outro substituto para a vaga. Até que, nessa semana, onde tudo seria sacramentado oficialmente, eis que eu descubro que mais alguém se habilitou para o cargo... quem?! 

Meu suposto amigo, que ingressamos juntos no mesmo na Firma... 

A merda, é que eles foram tão amadores que todo mundo se revoltou e ainda que eu não tenha aberto minha santa boca, o burburinho correu pela rádio tamanco de tal forma, que o Darth Vader teve que ir por panos quentes e se "explicar". Lambança mexicana total...

Óbvio que eu não fiquei com a vaga, agora quer saber o mais engraçado?!
Eu nunca quis o pseudo cargo, apesar de ser o "herdeiro natural" - por já estar envolvido nos processos, isso iria me tirar de outros projetos que eu pretendo iniciar em breve, tendo em vista a dedicação e comprometimento exigidos. Se o Darth Vader tivesse me falado que preferia o suposto amigo no meu lugar, eu teria cedido de bom gosto... 

Mas no pior a emenda saiu pior, eles conseguiram puxar o tapete... só que isso custou caro para eles. Talvez eu devesse estar mega emputecido, provavelmente estaria alguns anos atrás, mas... não estou! Hoje, como defensor do fair play, mandei um e-mail agridoce a todos agradecendo o apoio que eu recebi da equipe e, claro que na última linha quase depois da assinatura, eu dei os parabéns ao pseudo novo chefe e suposto amigo!  [kkk]

Agora, é ir para o boteco e celebrar minha quase "chefia"! Não posso esquecer de fazer um brinde a Quincas Borda, que sabia já disse: "Ao vencedor, as batatas!!!" 

E feriado é bom para...???
Pois é... vou pegar um colinho em casa, ainda que não tenha levado na boa esse lance de "tapete voador", confesso que esse tipo de coisa me desgasta, então, nada melhor que ir para casa, ganhar umas lambidas para lembrar o que é amizade de verdade.


Infelizmente esse desabafo era o que tinhamos para hoje, espero voltar com algum causo mais interessante nos próximos dias! ;-)

E, quanto ao meu suposto amigo e, agora, novo amigo-traíra, deixo essa bonita melodia:

"Deus em proteja da sua inveja
Deus me defenda da sua macumba
Deus me salve da sua praga
Deus me ajude da sua raiva
Deus me imunize do seu veneno
Deus me poupe do seu fim" (RITA LEE, Reza)

That´s all folks!!!

A Mentira é muita vez tão involuntária como a respiração
(MACHADO DE ASSIS, in Dom Casmurro)

Trezentos e poucos...

Essa é a distância "daqui" até a minha casa, que com um pouquinho de sorte e um bom motor, eu faço em 3 horas, 3 horas e meia. Normalmente eu acordo cedo, banho, café, e lá vamos nós de novo... Dessa vez eu vou sozinho, por escolha... eu tinha a chance de ir carona com um colega que também não trabalha amanhã, mas... não estou muito na vibe de ouvir Christian e Ralf (nada contra!), sem contar que ele é mais lerdinho... e assim a viagem pula para 4 horas ou mais.

Apesar da suposta solidão temporária, eu até gosto... é um tempo em que ponho os pensamentos em ordem... já fiz pedidos de namoro, já revisitei algumas pessoas que hoje só posso reencontrar na memória e já fiz muitos planos.

É estranho viajar para uma direção, quando se queria ir para outra... mas, tudo ao seu tempo!

Mp3, okay!
Bolsa, okay!
Água, okay!
Mochila, okay!

Então, pé na estrada!
Vejo vocês por ai! ;-)

Inté...

"A vida é cheia de obrigações que a gente cumpre
por mais vontade que tenha de as 
infringir deslavadamente"
(MACHADO DE ASSIS, em Dom Casmurro)

Conceitos & Preconceitos

Se não fosse trágico, seria engraçado, mas a verdade é que nós somos nosso pior carrasco, é muito fácil se perder em teorias e regras que vamos criando ao longo da vida, basta uma experiência ruim - muitas vezes na infância ou mesmo na adolescência, para assumirmos determinadas posturas e nos impormos limites e limitações, que no fundo só existem em nossas cabeças. E isso acaba por ter "reverberações" na vida adulta...

Seja no momento de fazer uma escolha profissional, seja no momento de aceitar um desafio ou mesmo uma mudança no curso da vida. No início desse ano, ao me decidir por fazer uma dessas mudanças, eu vislumbrei a chance de um recomeço, de zerar os contadores em diversos aspectos da minha vida, chegara a hora de trocar de pele, de exoesqueleto e, de procurar em novas perguntas as respostas para antigas questões.

E durante essa semana, uma nova pergunta, me trouxe a resposta para um dúvida não tão nova. Tempos atrás eu abandonei um curso que estava fazendo, era um curso importante, em uma das três melhores instituições de ensino do país... mas, que não estava me fazendo feliz, sou desses!!!

Mudar de área implicava em uma escolha de Sofia para mim, e ai estava escondida a grande armadilha... Nunca me arrependi por ter largado o curso, aceitemos o fato de que apenas não deu certo, não há necessidade de haver culpados... mas como seguir em frente?! Mesma área ou se aventurar em uma nova área? Um novo orientador ou, no melhor estilo o bom filho a casa torna, eu procuro meu antigo mestre? Será que ele me aceita ou serei "banido"? Quando a perseverança vira burrice?! 

Na minha cabeça, mudar de área, significaria para mim, um atestado de "toperice"... algo como, "não deu conta"! Mas, nessa semana foi que minha ficha caiu, who cares?! Mais que isso, conversando com uma amiga no início dessa semana, me dei conta de que essa "nova área" já havia sido escolhida a muito tempo, afinal, durante todo o tempo, eu sempre tive trabalhando nas duas áreas. E no final, a culpa não era da "Sofia"... e sim, da minha própria vaidade, que estava me cegando...

E assim, é tempo de recomeçar... no melhor estilo Pinky e Cerebro, hora de voltar ao laboratório para fazer aquilo que eu faço todos os dias [kkk], tentar dominar o mundo! 

"Formulamos conceitos com facilidade e nos fechamos neles certos de que são verdadeiros. Ai, um dia, de repente, percebemos que eles nos limitaram e que além deles há outras coisas, outros valores não considerados que poderiam modificar tudo, criando novas e melhores opções.
Nossa felicidade não depende de conhecer o mundo ou de dominá-lo.
Nossa felicidade depende da forma que olhamos a vida, de como aceitamos os nossos limites e do bom senso para avaliar o bem que já temos. Escolhemos a forma que desejamos interpretar o que nos acontece e geralmente, pressionados pelas ilusões, pelo orgulho, nos tornamos cego aos bens que possuímos.
Desejamos coisas discutíveis, sem saber se elas, uma vez conquistadas, nos dariam felicidade.Perdemos muito tempo correndo atras de ilusões criadas pela nossa imaginação, e nos esquecemos de desfrutar e viver situações,
momentos reais que nos colocariam em estado de felicidade."



E hoje foi dia de Finados... por mais que eu tenha respeito pelos o que já foram, eu não fui ao cemitério... independentemente do que eu acredite, gosto muito da forma como Fernando Pessoa começa um poema dele...

"A morte é a curva da estrada,
Morrer é só não ser visto..."
(FERNANDO PESSOA)



Hasta Luego!

Liaisons


Quando eu comecei meu bloguinho, lá em 2006, eu não tinha grandes pretensões, para ser sincero, achava que não duraria um mês! Mas ele nasceu, meio a fórceps, mas nasceu! Primeiro porque eu precisava começar a falar, estava em um ponto em que explodiria se não começasse a falar. Depois, porque tinha encontrado um lugar no mundo onde eu parecia me encaixar, um blogue em especial, me inspirou a escrever, devo a ele a existência do Latinha [kkk], ainda que pouco tempo depois ele viesse a sair do ar. Engraçado é que em milhares de páginas eu encontrei a dele, e nós morávamos na mesma cidade, mas estávamos fadados a nunca nos conhecermos – as vezes fico olhando as pessoas passando na rua e penso se já não nos cruzamos por ai, vai saber.

Os motivos que me levaram ao blogue, aos poucos foram sumindo, tal qual o sol ao final do dia... e quando esses motivos tinham se ido por completo, eu me dei conta que naquele caminho, havia conquistado algumas outras coisas também, dentre elas... Amigos!

O Railer outro dia comentava que nunca tinha me visto, poucas pessoas me viram (eu acho!) - ou até me viram mas não sabem que eu sou [kkk], a verdade é que não era para ser visto mesmo, eu sempre detestei escrever sobre mim, então, precisava da ajuda de "alguém" para me ajudar a me aventurar nessa empreitada. Além disso, outras questões se faziam presentes naquela época, foram elas que me fizeram escolher um nome, que no inicio se chamava Homem de Lata – até ser rebatizado de Latinha pelo Edu, foram dúvidas “sinceras” que eu carregava,e talvez ainda carregue, desde aquela época.

Alguns desses amigos, se tornariam presenças constantes na minha vida, provando que mesmo com a distância física, a tecnologia pode permitir o estabelecimento de ligações e a construção de amizades e quem sabe, relacionamentos (cof, cof, cof). De qualquer forma, sempre aprendi muito com esses amigos... Dos “primeiros amigos”, boa parte deles, apesar de já não escrever mais em blogues ainda estão presentes na minha vida,  e outros, cresceram, mudaram, mais ainda estão ai até hoje. 

E assim, deixo registrado os meus votos de Parabéns ao TPM de Macho e, em especial, ao Fred... uma dessas pessoas “das antigas” e a quem eu tenho a honra de poder chamar de amigo. Na pessoa dele, também vou aproveitar para "abraçar" a todos os amigos que por meio deste blogue eu conquistei... cada um, ao seu modo, me apresentou um pedaço do mundo e com certeza foram um presente para mim.

Infelizmente, cachorro velho não aprende novos truques e vocês vão ficar sem ver minha foto “oficial” [kkk], não porque exista nenhuma razão extraordinária para isso, ainda que eu precise e goste de um pouco de privacidade, com sorte qualquer hora dessas rola um “semi-outing” público... mas até lá, como diria Vanessa Redgrave: Anonymity is like a warm blanket. ;-)


"Amizade só faz sentido se traz o céu mais perto da gente
e se inaugura, 

aqui mesmo, o seu começo.

Mas... se eu morrer antes de você...acho que não vou estranhar o céu...
Ser seu amigo... já é um pedaço dele..."
(CHICO XAVIER)

Os Anos...

Já que a inspiração não anda das melhores, eu resgatar uma postagem que estava condenada ao limbo e que hoje eu encontrei novamente no meus arquivos... apesar da condenação, ela é recente... eu escrevi alguns meses atrás... mas precisamente na véspera do meu aniversário. Lá vai... senta que lá vem história...

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Amanhã, é meu aniversário...


Lembro do primeiro aniversário que passei longe de casa, por ironia do destino foi em uma viagem para São Paulo, acordei de manhãzinha, “anônimo” em um ônibus, quase chegando na capital paulista. Mal humorado, provei do gosto da invisibilidade naquele dia... afinal, ninguém conhecia ou se importava, mais que isso, pela primeira vez em longos anos uma tradição de família se quebrava.

Na minha casa, no dia dos aniversários, todos acordamos cedinho, supostamente mais cedo que o aniversariante e, ainda com os olhos meio fechados, corremos para pegar os presentes para então acordar o “dono do dia”... Minha mãe geralmente lidera “o grupo”,  cantando baixando o Parabéns para você, e assim, o felizardo ainda na cama ganha abraços, beijos e presentes!!!. Obviamente o aniversariante, que já estava acordado, sempre acorda surpreso com tal “surpresa”, mas foi assim que vi passar meus aniversários. 

Mas um dia a gente cresce, né?!

Amanhã não vou acordar em casa, pela primeira vez, acordarei na minha casa! 
Que não é bem minha ainda, é só um ensaio, uma primeira experiência... assim, é provável que ao invés dos abraços, eu ouça o famoso parabéns pelo telefone, que já está estrategicamente colocado do lado da cama.

E lá se vão alguns anos... dos planos originais, algumas coisas deram certo, outras eu tive que adaptar, mas creio que poucas deram errado...  Gosto de pensar que soube aproveitar os anos, tudo bem que com a minha idade, Cristo já tinha sido crucificado – mas minhas pretensões sempre foram bem mais modestas.

De qualquer forma, pessoas se casaram, se separam, nos deixaram, meu próprio pai já tinha uma família com a minha idade, e eu já era um simpático garotinho de cabelos negros e fartos...

Ainda que os  cabelos continuem negros e fartos, já tem algum tempo que eu deixei  de ser um garotinho... Os anos vieram e com eles, chegaram novas lentes, que foram me mostrando detalhes que antes passavam desapercebidos... Foi assim que meus pais deixaram de se parecer com aqueles super-heróis invencíveis e, de repente, a cada dia vejo-os com cabelos mais brancos e com passos mais lentos... Também vi algumas pessoas  queridas, aos poucos irem se perdendo nas lembranças, já tive de dar aquele terrível "até breve" para algumas pessoas e de repente, surge a consciência de que tudo um dia finda.

Mais que tudo amanhã é um dia de agradecer... por anos tão bons, por tudo o que eu já tive chance de viver e até o que não vivi, porque sei que poderei ainda tentar vive-los... 

[Interrompido...]

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Pois é, só para registro... foi um dia muito bom!!!
E confesso que tem horas que me pego pensando nessa questão do envelhecer, não tenho medo do envelhecer, mas as vezes me pego pensado em como isso vai se dar... sei lá! kkk

Enfim.. a vida segue... e lá vou eu trabalhando, trabalhado... 
Como fazia um tempo que eu não postava, esse foi um post para tirar a cisma!

Espero que todos estejam bem..  Abração!

Passem-se dias, horas, meses, anos
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida
Entre compensações e desenganos.
Faça-se a carne mais envilecida
Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida.
Queira-se antes ventura que aventura
À medida que a têmpora embranquece
E fica tenra a fibra que era dura.
E eu te direi: amiga minha, esquece...
Que grande é este amor meu de criatura
Que vê envelhecer e não envelhece.
(SONETO DE ANIVERSÁRIO, Vinicius de Moraes, 1942)

Olhos


Tal qual uma maldição, eu estava destinado a não ter a chance de compartilhar essa data ao lado Dele, a mim, caberia apenas o papel de coadjuvante, que de longe o observa passar, provavelmente cercado de seus amigos e, quem sabem, de algum mais que amigo. O tempo das revoltas e das promessas que nunca conseguiria cumprir já se foram, o tempo me trouxe a sabedoria para aceitar algumas coisas, o entendimento eu espero que os próximos anos possam me trazer também. De qualquer forma, hoje é o aniversário Dele! 

Eu confesso que gostaria de não lembrar, mas parece que por mais que eu me esforce não conseguiria, E foi assim que eu assisti a sua aproximação, dia a dia, ...

Queria poder abraçá-lo, na minha cabeça não foram poucas as ideias de surpresas e mimos, mas... somente em minha cabeça. De qualquer forma, o e-mail cuidadosamente escrito, foi enviado ainda na noite de ontem e a mensagem meticulosamente desenhada, foi enviada nas primeiras horas da manhã.

De pronto, recebo sua resposta agradecendo por eu ter me lembrado.
Por eu ter me lembrado... como se em algum momento eu tivesse tido a chance de esquecer, ainda que ele próprio tenha esquecido o meu aniversário desse ano... Talvez seja isso seja o que os poemas chamem de amor, você conseguir um desprendimento tal, que consiga deixar de lado magoas e amarras e ficar feliz pelo outro, mesmo quando você já não faz mais parte da vida do outro, ou então, está relegado a ser apenas "um cara bacana!". De coração eu espero que ele, eu e todos nós, possamos um dia ser muitos felizes.

De qualquer forma, a vida segue... e este não é mais um post magoado ou cheio de ressentimentos, confesso que pensava em deixar a data passar em branco... mas sei lá, vale o registro! Quem sabe para compensá-lo, já que ele quase nunca foi mencionado aqui no blogue.

Feliz Aniversário! 

"Na verdade, não é com meus olhos que eu te amo,
Pois eles vêem em ti milhares de coisas erradas;
Mas é meu coração que ama aquilo que os olhos desprezam"
(SHAKESPEARE, in Sonetos)


A quem possa interessar, apesar dos cotovelos inchados, eu estou bem! kkk
E nos próximos dias voltamos com a nossa programação (a)normal.
Finalmente eu tenho internet em casa!!!

Inté.

A Julietinha

A vida e seus mistérios...

Da minha casa até a casa dos meus pais são um pouco mais de 300 km que em geral eu percorro em três horas e meia, hoje, acordei cedo e peguei a estrada... um dia cinzento, meio chuvoso, que sinceramente não me agrada muito, mas vamos que vamos! As vezes algum colega pega uma carona, mas dessa vez, foi um voo solo, o que é uma ótima oportunidade para repensar algumas coisas e pensar em novas.

E foi assim que vim pensando em um "causo" de ontem... 
Em mais um capítulo da "Saga da Julieta", chegou a hora dos filhotes partirem, eles estão crescidinhos, de olhos abertos e já começam a explorar o mundo além da casinha improvisada deles. E ao chegar "na Firma" ontem, me contaram que havia só uma cachorrinha para ser adotada, e a preocupação era em função do feriado. A Julieta e o Romeu são maiores e podem sair para procurar comida, mas e a filhote?! E se ela se afastasse da casa? Enfim...

Uma colega veio me perguntar se eu sabia de alguém que pudesse adotá-la. Eu sou o tipo de pessoa que se tivesse que vender água no deserto, provavelmente morreria de fome, eu nunca gostei da ideia de vender algo. Pior, eu sou daqueles que precisa acreditar no que faz, logo, para vender algo eu preciso acreditar que realmente aquilo valha a pena -  o que as vezes nem sempre é verdade. Essa foi uma das razões que me fizeram trocar de emprego recentemente, não acreditar no que eu fazia, pior... a sensação de estar vendendo um pedaço de céu aos outros.

Mas, aceitei o desafio de ajudar a procurar um lar para a "Julietinha"... cada um luta com o que tem... e foi assim, que um e-mail aqui, outro acolá, um aviso na rede social e dedos cruzados. No fim do dia, fui surpreendido por três pessoas, que me procuraram interessados em adotar a filhote! Sai correndo pelos corredores, atrás das colegas "Greenpeace" que estavam cuidando do caso da filhote.

A princípio uma outra pessoa havia a poucos minutos aceitado ficar com ela... meus contatos estão em stand by, mas, mesmo assim fiquei feliz! Primeiro, porque todos os filhotes foram adotados, nenhum cachorrinho na rua! E, depois, por de certa forma ter vencido uma dificuldade minha, nem eu sabia que podia fazer isso. Fiquei pensando que, se um dia eu deixar o apartamento para ir morar em uma casa, eu levo a Julieta e o Romeu para morarem comigo...

Hoje, conforme as paisagens iam passando pela minha frente, não pude deixar de pensar que às vezes só o que precisamos é um pouco de fé e acreditar, pois como diz o dito popular: "No final tudo dá certo!"

Enquanto isso, no meio tempo, acho que vou ter novidades no trabalho... 


"Ninguém pode construir em teu lugar as pontes
que precisarás passar para atravessar o rio da vida -
ninguém, exceto tu, só tu.
Existem, por certo, atalhos em números, e pontes, e semi-deuses
que se oferecerão para levar-te além do rio;
Mas isso te custaria a tua própria pessoa;
Tu te hipotecarias e te perderias.
Existe no mundo um único caminho por onde só tu podes passar.
Onde leva? Não perguntes, segue-o"
(NIETZSCHE)

Manuscrito

Buenas!

Então... cá estou! Alive and Kicking...
Além de estar meio enrolado por conta do trabalho nesses últimos dias, confesso que ando meio preguiçoso para escrever... na verdade, ando pensando, pensando e por ai vai. De qualquer forma, esse final de semana eu vou por "as correspondências" em dia e retribuo as visitas e passo para ver "o pessoal".

Dia desses eu estava atrás de um arquivo e achei um texto que eu escrevi um dia desses, quem me lê a mais tempo já encontrou algumas postagens escritas à mão, quem me conhece um pouco mais de perto, já recebeu meus cartões analógico-digital [kkk]. Eu sou meio nostálgico para algumas coisas e uma delas é escrever... adoro canetas, adoro sentir a tinta molhar o papel e para mim é uma delícia ver as letras sendo desenhadas à flor da emoção... Por essa razão sendo uma postagem que estava "no limbo", é um texto que eu não terminei... mas sei lá... fica aí... Dizem que a letra revela muito sobre como somos, e já que o Cara Comum disse que eu ando mais "exibido" [kkk], lá vai...




Na verdade, o que eu iria dizer ao final, que o incomodo está na sensação desse sentimento tão grande e bonito, que se "desperdiça" a cada dia sem poder ser dado à alguém...

Enfim... That´s all folks!

Inté...

"Quando o amor o chamar
Se guie, embora seus caminhos sejam agrestes e escarpados
E quando ele vos envolver com suas asas
Cedei-lhe, embora a espada oculta na sua plumagem possa feri-vos
E quando ele vos falar
Acreditai nele, embora a sua voz possa despedaçar vossos sonhos
como o vento devasta o jardim
Pois da mesma forma que o amor vos coroa, assim ele vos crucifica
E da mesma forma que contribui para o vosso crescimento
Trabalha para vossa poda
E da mesma forma que alcança vossa altura e acaricia vossos ramos mais tenros que se embalam ao sol
Assim também desce até vossas raízes e a sacode no seu apego à terra
Como feixes de trigo ele vos aperta junto ao seu coração
Ele vos debulha para expor a vossa nudez
Ele vos peneira para libertar-vos das palhas
Ele vos mói até extrema brancura
Ele vos amassa até que vos torneis maleáveis
Então ele vos leva ao fogo sagrado e vos transforma no pão místico do banquete divino
Todas essas coisas o amor operará em vos para que conheçais os segredos de vossos corações
E com esse conhecimento vos convertais no pão místico do banquete divino
Todavia se no vosso temor procurardes somente a paz do amor, o gozo do amor
Então seria melhor para vós que cobrísseis vossa nudez, abandonásseis a ira do amor
Para entrar num mundo sem estações onde rireis, mas não todos os vossos risos
E chorareis, mas não todas as vossas lágrimas
O amor nada dá, se não de si próprio
E nada recebe, se não de si próprio
O amor não possui nem se deixa possuir
Pois o amor basta-se a si mesmo
Quando um de vós ama, que não diga 'Deus está no meu coração'
Mas que diga antes 'Eu estou no coração de Deus'
E não imagineis que possais dirigir o curso do amor pois o amor se vos achar dignos determinará ele próprio vosso curso
O amor não tem outro desejo se não o de atingir a sua plenitude
Se contudo amardes e precisardes ter desejos
Sejam estes os vossos desejos
De vos diluirdes no amor e serdes como um riacho que canta sua melodia para a noite
De conhecerdes a dor de sentir ternura demasiada
De ficardes feridos por vossa própria compreensão do amor
E de sangrardes de boa vontade e com alegria
De acordardes na aurora com o coração alado e agradecerdes por um novo dia de amor
De descansardes ao meio-dia e meditardes sobre o êxtase do amor
De voltardes pra casa à noite com gratidão
E de adormecerdes com uma prece no coração para o bem-amado
E nos lábios uma canção de bem-aventurança" 





11 Coisas sobre eu "Eu mesmo" ;-)

Eu vi um post bacana no blogue Good friends are hard to find e resolvi responder aqui o desafio proposto, fica o convite para quem quiser também o fazê-lo.

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1 - Qual tua cor favorita?!
Eu sempre gostei bastante de azul... 

2 - Qual a tua viagem de sonho?
Tenho uma lista, mas uma que me é especial, é visitar Portugal! Por várias razões eu me sinto atraído e ligado a esse país, acho que em breve essa viagem saí do papel.

3 - Partilha algo engraçado sobre ti.
Eu sempre pago algum "micão" por aí. Seja voluntária ou involuntariamente, como na vez em que viajei com um amigo para um pousada super bacana em um feriado. O lugar estava bem cheio, encontramos/conhecemos várias pessoas, cidade movimentada e só no final é que prestamos atenção que aquele feriado na verdade era o feriado de Dia dos Namorados, isso viria a render ótimas risadas, porque foi só a partir daí que entendemos algumas "situações" que passamos pela viagem.

Update (01.10 - 15h58) - Me lembrei de um causo dessa fatídica viagem... aliás, fui lembrado! Eu e o referido amigo, fomos fazer uma trilha que levava a uma cachoeira, e vinhamos conversando pela estrada que dava início à trilha. Nisso, eu piso em uma pedra que estava solta e perco o equilíbrio, deslizando em direção ao barranco que tinha ao lado  da estrada. Em um ato de puro reflexo, eu consegui me estabilizar e ficar em pé novamente, ufa! Que nada, quando a gente deu aquela respirada aliviada, outra pedra escorregou e lá fui junto, quase que morro à baixo! 

Não me pergunte como, eu consegui me equilibrar novamente antes de rolar barranco a baixo com a classe de um saco de arroz... Nisso, olho para o "amigo" que com um olhar assustado estava boquiaberto me olhando com a mão esticada. Pois bem, você acha que  depois disso ele veio me ajudar?! Não! Ao ver que eu estava bem, ele soltou uma mega gargalhada e começou a rir tanto que tivemos que sentar na beira da estrada de tanto rir, ou seja,... parça é parça, nzé?! 

4 - Qual a música mais especial para ti? Porquê?
I´m Yours, do Jason Mraz. Essa música me foi enviada nos primeiros contatos com alguém que viria ser muito importante na minha vida... but I won´t hesitate no more, no more. Lembra do mp3 player que já mencionei alguns posts no passado? Pois é, essa música seria a primeira recebida e que posteriormente viria a fazer parte daquela coletânea. [Link para o Post]

5 - Se tivesses uma Máquina do Tempo, onde gostavas de ir?!
Ao passado! As vezes é preciso voltar um pouco para poder seguir em frente, além disso, sempre achei interessante algumas partes e costumes de tempos mais antigos, e confesso que não raro me sinto como se tivesse mais adequado aos velhos tempos

6 - Qual a tua maior qualidade?
Lealdade.

7 - Qual o teu maior defeito?
Além de pensar demais eu confesso que sou meio turrão!

8 - Se pudesses mudar algo na tua vida, o que mudavas?
Começava mais cedo a lutar contra os medos e preconceitos que fui construindo ao longo dos anos.

9 - Encontras a lamparina mágica e dela sai um gênio que te concede um desejo, o que pedirias?
Caraca... acho que eu pediria para que aquelas pessoas que eu amo estivessem sempre a salvo e protegidos contra a violência e a maldade alheia... 

10 - Qual a maior loucura que fizeste até hoje por amor?
Acho que a maior loucura que eu já fiz foi acreditar que no final a culpa de algumas situações era minha. O tempo me mostraria que eu estava pronto e não havia feito nada de errado que as questões eram na verdade do outro... mas, em um primeiro momento, eu aceitei que eu havia errado, mesmo não tendo feito que acreditasse estar errado.

11 - Dá um título para o livro que é a história da tua vida.
Dominação Mundial for Dummies! ;-)

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Como bem comentou o Lucas, amanhã eu amanheço na minha vida de Caixeiro Viajante, vou voltar para casa, de onde eu devo ficar quieto pelo menos pelos próximos 15 dias! Viajar meio que faz parte da minha vida, houve épocas em que viajei mais, e para mais longe também! Confesso que eu gosto, agora é diferente porque quase sempre eu estou ao volante, antes eu viajava mais como passageiro... então tinha tempo de ver a paisagem e as pessoas.

No mais, sem maiores novidades, ando em uma fase trabalho, trabalho, trabalho... e o mês que se aproxima, não parece trazer maiores mudanças, se bem... que a gente nunca sabe o que o próximo dia nos reserva.

De bom, só que finalmente Nossa Senhora das Conexões atendeu as minhas preces e eu consegui fazer o pedido de uma conexão banda larga para minha "residença", os dias de trevas acabaram! kkk  Quer dizer, espero que tenham acabado né? Porque agora começa a guerra de agendamentos e instalações...

Inté...

"A vida é cheia de obrigações que a gente cumpre
por mais vontade que tenha de as infringir deslavadamente"

(MACHADO DE ASSIS)

Julieta - A Missão

Então... além de estar meio sem inspiração por esses dias, tenho estado meio enrolado por conta de algumas viagens, o que tem tumultuado um pouco as coisas, mas tudo caminha bem. As vezes me assusto como o tempo passa rápido, "poucos dias" atrás eu lia poemas falando sobre o Agosto, depois veio a novidade de Setembro e cá estamos às portas com Outubro.

No meio tempo, tenho ficado entretido com a Julieta - a cadelinha que deu cria lá "na firma". Todos se mobilizaram, casinhas de caixa foram confeccionadas e sempre vejo um rodinha ao redor da casinha. Confesso que dentro do meu armário agora constam alguns apetrechos também, um pacote de ração e alguns sachês de comida para cachorros. 

Os filhotes beiram os 15 dias, estão crescendo bem ao que parecem, gorduchos, são muito bonitinhos... espero que o povo em breve os adote. Aqui está uma foto da Julieta hoje, aproveitei o momento em que fui deixar ração para fotografar...

No mais, as vezes é bom ser surpreendido... impressionante o bem que algumas poucas linhas em uma mensagem não esperada encontrada em sua caixa de mensagens pode fazer. Enfim, possibilidades... 

Amanhã é dia de pegar estrada novamente, mas pelo menos fica um post para tirar a cisma! ;-)


"Todos nós já estivemos nessa encruzilhadas.
Da noite para o dia é preciso recomeçar.
Mas de onde? com quem? 
É difícil esticar as assas,
quando se passou a vida toda 
na gaiola".

Envelhecer

Essa semana, ao ver uma foto no perfil de uma amiga, fui convidado a fazer uma viagem no tempo, viagem essa que me levaria à algumas reflexões que ocupariam boa parte dos dias seguintes. A foto na qual minha amiga fora marcada, era de uma equipe de trabalho em longínquo mil novecentos e poucos e, o que me chamou a atenção, foi que eu conhecia a maior parte daquelas pessoas naquela foto.


Poucos anos depois daquela foto ter sido tirada, eu me juntaria aquela equipe de trabalho, aquele foi meu segundo estágio e viria a ser um marco importante na minha formação profissional, eu saia de uma empresa pequena no interior de São Paulo e me tornava estag em um centro de pesquisa de uma empresa gigante. Muito do profissional que eu sou hoje, eu aprendi com aquelas pessoas, na primeira sala que eu ocupei, nasceu uma amizade que perdura até hoje – minha melhor amiga e “quase irmã”...

Eu não tenho mais contato com eles, longos anos se passaram, minha amiga foi sempre o “elo” entre aquela época e eu. Ao ver a foto, não resisti a tentação de fuçar um pouco e visitar os perfil dos meus antigos colegas, e eis que eu me deparo com a foto do meu supervisor. Me lembro dele, um cara alto, forte, já tinha pouco cabelo, mas tinha um porte atlético – me lembro que ele jogava vôlei, naquela época nunca me passou pela cabeça a idade que eles tinham, mas acredito que eles deviam já ter seus 30 e muitos pelo jeito.

Ao reconhecê-lo em uma foto, eu levei um susto, ele agora é um tiozinho! 
Magro, quase calvo, envelhecido... confesso que fiquei espantado e o mesmo aconteceria  com outras pessoas que fui reconhecendo, eles envelheceram!!!... Os que não ficaram grisalhos, ostentam mechas brancas pelos cabelos, os rostos ficaram marcados, os álbuns que outrora tinham fotos de viagens e aventuras, hoje são recheados com fotos da família, e quase todos com filhos que hoje poderiam ser "os meus supervisionados”...

Me dei conta que eu também envelheci..
Acho que foi a primeira vez que me vi seriamente confrontado com essas questões de envelhecimento, tirando, é claro,  o dia que eu devolvi a bola para o garoto no parque e ele gritou: “Valeu, Tio!”.

Falando sério... fiquei pensando no que eu já fiz da minha vida, acredito que eles podem se orgulhar de mim, se eu ainda não descobri como dominar o mundo, eu tenho orgulho de já ter trabalhado com pessoas bem legais, ter ajudado algumas outras e estar construindo uma carreira legal, que ainda pode me permitir fazer coisas interessantes.

Mas, e ai...?
Fiquei pensando no meu futuro “álbum” de tiozinho... 

Como será que ele vai ser? 


"O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais,
há em mim uma sede de infinito,
uma angústia constante que nem eu mesma compreendo.
Sou uma alma intensa, uma alma que não se sente bem onde está,
que tem saudade... Sei lá de que!"
(FLORBELA ESPANCA)

Julieta


Eu sempre fui coração mole com animais, principalmente com cachorros...

Crescido em São Paulo, em uma época onde ninguém, nem em sonhos, podia imaginar um cachorro vivendo em apartamento, eu sempre tive “o trauma” de não poder ter um bicho de estimação. Aliás, salvo as feiras de animais, bichos em São Paulo não eram lá muito comum, isso viria a render várias histórias e micos, como a vez que, em uma visita ao Simba Safári, ao avistar um Avestruz eu espantadíssimo gritei para minha mãe como aquela galinha era grande, ou ainda, quando meu avô me mostrou um carneiro e eu fiquei abismado como aquela taturana era peluda – Sim, sou/fui desses!

Mas cachorros sempre foram meu fraco, em particular, duas coisas ficaram registradas na minha memória, uma delas quando quase eu matei meus pais do coração [kkk], quando ainda na pré-escola eu me soltei da mão minha mãe, corri e enfiei a mão pela grade de uma casa, para alisar "O Grandão!!!" - ele era um Boxer dourado que malandramente adorava receber carinho das crianças que passavam para a escola, naqueles tempos ele realmente era Grandão para mim... só perdia para o Digby, O Maior Cão do Mundo [Caraca, tirei essa do fundo do baú].

A outra, foi em uma noite, voltando para casa com meus pais, um cachorro nos seguiu até a entrada do prédio... não preciso relatar o berreiro que foi, né? Eu teria que esperar até os 13/14 anos para ter um cachorro, lembro do dia que ele chegou... perto do Natal, meus  pais saíram e quando voltaram, minha mãe apresentou ele para nós... Um mestiço de boxer, 40 dias, cinza, filho de uma “dama da sociedade” com pedigree e tudo mais e do vira-lata mais vira-lata que tinha na cidade [hauhahuaa]. Ela havia escapado na época do cio e dai 60 dias depois já viu, apesar do toda a linhagem dela ter sido comprometida, ele foi a coisa mais fofa que eu já vi na vida... Apesar do seu porte aristocrático, tinha alma e orelhas de vira-lata! E roubava comida como ninguém! Ele ficaria com a gente por 15 anos e morreria de velhice!

Ao chegar por essas bandas, eu logo vi dois vira-latas que moram no terreno “da Firma”, o Romeu e sua "namorada/esposa", que só poderia ser a Julieta. Como eu estou novamente engaiolado em um apartamento, e com eles que mato a saudade dos meus dogs. Apesar de vira latas, eles são bem cuidados e não é difícil encontrar na sala das pessoas um saco de ração para alimentá-los.

Já pensei porque ninguém nunca os adotou, mas o tempo me mostrou que eles gostam daquele lugar... eles são livres lá, chega ser engraçado ver o Romeu acompanhar o vigia pela ronda, basta o vigia sair da guarita e lá está ele a postos! E, depois de algumas saliências alguns meses atrás, eis que Julieta estava “embarazada”.

Barrigudinha que só ela, eu imaginei que ela pudesse ter complicações no parto e estava meio de olho caso precisasse levá-la a uma clínica. E qual não foi minha surpresa ao chegar durante essa semana e encontrar uma mobilização na Firma, Julieta estava voltando de uma clínica, junto de seus 6 cachorrinhos – que dariam ótimas golas de casacos, como diria o Fred [kkk]. A encontraram “passando mal” e correram para uma clínica, como os cachorritos eram meio grandinhos, uma cesária foi necessário... 

O bacana de tudo isso é ver como as pessoas se rendem nesses momentos, no prédio onde é minha sala, há uma outra divisão e, apesar de dividirmos o corredor, há uma mulher que sempre me chamou a atenção. Até mesmo, porque ela nunca me cumprimentou [kkk], mas me surpreendi ao ver que a "líder" do movimento era ela, me parece que ela pagou a clínica, comprou os medicamentos e era a mais engajada em alimentar os filhotinhos - que tiveram que mamar na seringa nas primeiras vezes. No fim, estávamos todos lá, e Julieta ganhou caixa de papelão, alguém cedeu uma toalha para forrar, ração e tudo mais.

Confesso que fiquei me amarrando para ir embora nesses dias, quem iria tomar conta da Julieta e dos filhotes?! Por um momento quis levar todos para casa, mas novamente eu estou engaiolado em um apartamento... e então me lembrei do meu pai, , naquela noite meio fria de São Paulo alguns anos atrás, se desdobrando para tentar me explicar porque não podíamos ficar com o cachorrinho... o mundo e suas voltas!

Como não há expediente no sábado... hoje a tarde passei em um supermercado e lá fui eu para a Firma levar um lanchinho para a Julieta... 


Seu cachorrinho já lhe terá proporcionado muitas alegrias,
Cuide para que ele tenha um final de vida feliz.
Sempre que possível deixe que ele permaneça ao seu lado,
pois este será, realmente, um dos poucos prazeres que lhe restarão na velhice,
A grande despedida está próxima, e ele, por instinto sabe disto.
É natural que deseje então a companhia daquele que aprendeu a amar
e respeitar durante sua vida.
Não o abandone agora.
Ele já não será aquele animal bonito de antes.
Seu pelo começa a cair, seu caminhar perdeu a elegância e sua cabeça, penderá, 
cansada, sobre suas patas.
Somente seu olhar acompanhará os passos de seu dono.
Lembre-se que, dentro do peito, ele ainda possui aquele coração
que vibrará com o som da sua voz, do seu mestre.
E, chegando ao fim, não se envergonhe, chore,
Você acaba de perder o mais dedicado dos amigos... O Cão.
(A VELHICE DE UM CÃO)

On the Road

Não sei a razão, mas sempre perco o sono no domingo à noite... não importa a que horas eu tenha acordado, não importa o que tenha feito durante o dia, chega a noite e lá estou eu... sempre alerta! Não raro, desligo tudo e vou para a cama, fico vendo televisão até o sono chegar. Se eu abusar um pouquinho, é fácil virar a noite... sempre foi assim... o mais triste é acordar cedo na segundona! Sempre começo devendo sono!

E amanhã eu começo o dia na estrada, chegadas e partidas!
Eu e minha vida cigana... nessa brincadeira tenho acumulado alguns quilômetros nos últimos meses, as vezes algum colega aproveita a carona, mas na grande maioria das vezes foram voos solo! O que devo confessar que não é de todo ruim... é um tempo de  revistar alguns pensamentos e organizar algumas ideias.

Engraçado que ao retornar para minha casa, sempre me vem a mente o final de Six Feet Under... 



and here we go again...

"...What in this world keeps us from falling apart?
No matter where I go I hear the beating of our one heart
I think about you when the night is cold and dark
uh-huh yeah
No one can move me the way that you do
Nothing erase this feeling between me and you..."

Grande semana! Grande abraço...
Inté.

A vida sem cenouras

E lá se vai mais um dia 08 de Setembro... esse é um dia que acabou por se tornar um dia "meio" complicado para mim, na verdade, tenho certeza que ele irá sempre figurar na lista dos dias mais difíceis da minha vida. Impressiona a constatação de que toda a sua vida pode mudar em questão de poucos minutos, isso se ela não se encerrar...

Via de regra... isso é algo que eu evito falar sobre, prefiro deixar quieto, confesso que me incomoda um pouco, mas alguns poucos anos atrás, eu e minha família entramos para as estatísticas brasileiras ao sermos vítimas de dois homens, que armados, invadiram nossa casa em uma calma manhã do dia 08 de Setembro.

Eu não sei dizer o que é pior... é tudo ruim... Não posso dizer que tive medo por mim, mas tive medo por aqueles que amo. Para ser sincero, essa não foi a primeira vez que me vi sob a mira de uma arma, mas foi a primeira que violaram aquilo que nos é mais sagrado, a nossa casa. Mais do que os bens materiais que se foram, eles roubaram a nossa tranquilidade e a sensação de liberdade que temos ao adentrar nosso lar.

Mas... tudo passa... e se o tempo não cura tudo, ele pelo menos nos dá a oportunidade de ir colocando as coisas aos seus devidos lugares... E se já eramos unidos antes, o fatídico episódio só serviu para que reafirmássemos os laços que sempre nos uniram.

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No mais, um evento e um curso me trouxeram "para casa" na semana passada... mas segunda-feira é tempo de pegar a estrada novamente, playlist já recheada com The Killers e matutar sobre alguns projetos devem ocupar o tempo até chegar "en mi casita".

Esses dias por aqui, me permitiram rever algumas pessoas que eu gosto muito... e foi interessante ouvir de uma delas, uma observação interessante. Em geral, que me conhece no dia-a-dia, sabe que eu sou meio como um daqueles greyhounds, aqueles cachorros de corrida que saem correndo atrás de um coelho "falso" nas competições de corrida.

Como eu brinco... eu sempre precisei de uma cenoura (sem duplo sentido) para me inspirar e fazer perseguir algo, seja profissionalmente, seja pessoalmente. E essa amiga, observou que nos últimos tempos, todas as minhas "cenouras" se foram... e que com isso, tenho aprendido a me virar sem elas - segundo ela, tenho me saído bem, precisando apenas de alguns ajustes aqui outro acolá...


Estranho muito estranho, ... mas tem sido bom... muito bom!

No mais, fiquei com os cotovelos ardidos por ter perdido um café daqueles, onde tenho certeza que as risadas e os papos foram os mais agradáveis! ;-)

Enfim, um post só para marcar que estou vivo!
E que estou voltando para casa... ;-)




Eu sou essa pessoa a quem o vento chama,

a que não se recusa a esse final convite,
em máquinas de adeus, sem tentação de volta.
Todo horizonte é um vasto sopro de incerteza:
Eu sou essa pessoa a quem o vento leva:
já de horizontes libertada, mas sozinha.
Se a Beleza sonhada é maior que a vivente,
dizei-me: não quereis ou não sabeis ser sonho ?
Eu sou essa pessoa a quem o vento rasga.
Pelos mundos do vento em meus cílios guardadas
vão as medidas que separam os abraços.
Eu sou essa pessoa a quem o vento ensina:
- Agora és livre, se ainda recordas
(Cecília Meireles)